O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Por favor me censure





POR FAVOR ME CENSURE

Wagner Nyhyhwh

por favor
me censure
ou encherei sua buceta de pintos
encherei seu pinto de bucetas
encherei seu cu de bucetas e pintos.
por favor
me censure
ou te seduzirei
e te acusarei de zoofilia
pois não passo de um animal afinal
animal só às vezes racional.
por favor
me censure
ou te darei um filho
e te acusarei de pedofilia por amar nosso filho.
por favor
me censure
ou só vou parar
quando seu tendencioso-conceito acabar
em outras palavras
não vou parar.
por favor me censure
antes que comece da minha não-arte a gostar.



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

ESPÍRITO DO SONHO

Por: Diego El Khouri


Olhar o mar
    atravessar
          o
       bar
fechar os olhos
         sondar
o espírito do sonho
             a
perscrurtar
        frêmitos
        alavanques
        pastiches
        sombras
o ombro reclinado
                 da
    última aurora
         do
último vento
      do
             último sopro
       do
                   infinito intimo
    da
pretérita memória.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

MIJO EM TEUS POEMAS QUE NEM SÃO POEMAS

Por: Edu Planchêz

Mijo sobre seus poemas que nada dizem,
mijo sobre a porcaria de vida que você nos propõe
Mijo em cada pingo de sol,
mijo em você

Cidade sem alma de pessoas opacas,
mundo calado sem o rumo das estrelas,
o que ainda faço em ti?

Homens calados, enrustido em suas casacas de escarro,
eu chamo os filhos do mato para roerem seus pés e mãos,
eu chamo a fada da neve e do fogo da terra para arrombar tuas portas egoístas,
eu chamo a víbora e o cão

Poesia, poeta que não incomoda não merece nem ser chamado de verme,
pois os vermes me dão mais sentidos que vossas cabeças tapadas,
feitas para o preconceito e Reis do dinheiro

O vagabundo aqui assina seu nome no coração desse mundo
com letras de sangue,
se aqui estou não para mergulhar no marasmo de vosso conformismo
Por isso mijo em teus poemas que nem são poemas

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

DILACERANTE

(Por Diego El Khouri)

relâmpagos dilacerantes / peles-almas
pelos eriçados na noite vulcão
pranto seco / mordida sem dentes
os dois joelhos cravados no chão
a loucura cada vez mais persistente...
estômago absorvido pela música,

ela dança


             - a música dança -

e em queda livre

a abraço

.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

INTENSIDADE NA CARNE (DA SÉRIE FETICHES)


Título: Intensidade na carne (da série fetiches)
Técnica: óleo s/ papel
Dimensões: 21 x 29,7 cm

Ano: 2016
Artista: Diego El Khouri


PODOLATRIA SÁDICA (DA SÉRIE FETICHES)


Título: Podolatria sádica (da série fetiches)
Técnica: óleo s/ papel
Dimensões: 21 x 29,7 cm

Ano: 2016
Artista: Diego El Khouri

terça-feira, 21 de novembro de 2017

QUARTO SUJO

Por: Diego El Khouri

cactos de prantos, pontes pequenas
fomes etéreas, flores azuis
                cidades submersas
no limbo ocular da imagem
na famigerada fome humana
cega sedentária da sociedade
na maquinaria calcificada da Morte
no balaústre cardíaco do coração
nas camadas soterradas do Amor
no azedume, na carne quente,
nos glóbulos, elétrons, elipses
(boca, cheiro, sexo, ventre)
nos dentes ruídos da miséria
no vem e vai dos corpos queixosos
carentes de ternura e carinho
num quarto sujo
"sem mulher, comida ou esperança"

no Ponto incrustado no Ponto
Ponto pressuposto no Ponto
o Ponto: algazarra de Pontos

prontos Pontos postos
frontais no raio
"no umbigo do furacão"
— lapso da erva 
une sainson enfer
os três inframundos
correntes sanguíneas 
folhas amassadas

no Ponto no Ponto
do Ponto da Vida
o beijo da Morte
(o sumo da Sina).

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O menino

Por Fabio da Silva Barbosa

Sentado no canto escuro
o menino míngua invisível
Não pode ser lembrado
pois de fato
nunca existiu
Como um fogo no fim
vai sumindo
mesmo sem nunca ter sido visto
Tristeza
Sentimento corriqueiro
que já perdeu o sentido
A sujeira já não incomoda mais
Está cego, surdo
e babando 
As remelas grudam os olhos
A poeira gruda na pele
Os pés
já não são pés
As mãos
já não são mãos
Nas orelhas
apenas inflamações
A língua inchada
já não serve pra falar
Doente

nunca esteve são 

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

ENTREVISTA DO ALEXANDRE MENDES NO FETOZINE

(Por Diego EL Khouri)


Alexandre Mendes é um artista completo. Além de poeta é contista, ensaísta, cartunista, historiador, ativista e fanzineiro. Tive a honra de conhecê-lo pessoalmente em dezembro de 2010 quando estive em Niterói (RJ). Uma alma simples e instigante que esbanja  desenvoltura criativa e intensidade de pensamento, porém humildade, apesar do grande conhecimento que esbanja. Na ânsia de devassar toda cultura alternativa e mostrar o que  está se produzindo de qualidade pelo país, entrevistei essa bomba atômica, a simplicidade dentro da complexidade de uma dinamite que expalha idéias  de luta social e independência intelectual.




“Historiador, operário e professor. Construiu a casa  com as próprias mãos. Adora ler Nietzsche e comer ovo frito.” Quem mais seriaAlexandre Mendes?

 Compreensão e desejo de mudança das estruturas vigentes dentro da civilização humana. Nem sempre o que parece ser correto e verdadeiro, realmente é. Uma transformação na forma de ver a sociedade é necessária, principalmente. O acúmulo de riquezas por poucos e a depredação da natureza são os problemas primários, gerados pelo fortalecimento do capitalismo. Mudar é preciso e dedico minha obra a propagação dessa idéia. 

Suas poesias, contos e cartuns nos mostram claramente sua indignação com a sociedade atual. De que forma a arte deve trabalhar para mudar essa realidade?

Ela tem o dever de conscientizar o povo de sua situação social, delineada pelos manipuladores da política e da economia mundial. É como eu sempre digo: o serviço manual não deveria ser tão desvalorizado. A mão-de-obra dos operários é o que verdadeiramente sustenta o sistema atual. 
A renascença foi a renovação das idéias caducas do feudalismo. Atualmente, quem precisa de uma nova arte (a qual possa trazer a renovação das idéias) é o sistema capitalista. 

Qual foi o boom que o levou para  a arte?

Quando criança, gostava de ler, escrever e desenhar. O que passei após a morte de minha mãe, isto é, a consequente inserção no mundo de verdade, sem a ajuda financeira de ninguém, foi o fator determinante.
A extrema opressão
A injustiça
O menosprezo
O fortalecimento dos estereótipos
A exclusão
O desemprego
A proibição do trabalho informal, facilitando a fome e a violência
Já experimentei um pouquinho de cada. Sinto que preciso passar as experiências que tive na vida para quem nunca pensou e nem viveu as tais. A má distribuição das coisas é pavorosa!


Você participou do fanzine O Berro junto com Fabio da Silva Barbosa e Winter Bastos. Fanzine esse que saiu em livro pela Editora Independente de Brasilia. O que o levou a abandonar o zine e quais os novos projetos que participa?

 Abandonei o Berro por sobrecarga de estudos da faculdade. Atualmente, busco trabalhar somente na área de educação e continuar produzindo arte, pois é a válvula de escape mais digna que eu encontrei na minha vida. Tenho o blog peresteca e alguns projetos de zines e quadrinhos que pretendo finalizar antes do fim do ano.



O fanzine Gambiarra que elaborou junto com Fabio da Silva Barbosa é uma obra prima, tanto pela temática quanto pela construção, todo feito manualmente, sem auxílio de computador. Há previsão de sair continuações?

O Gambiarra foi, para mim, uma obra bastante complexa, em termos de alcançar seus objetivos. Entretanto, já tenho outro zine aqui pronto e o lançarei em breve. Esse também é feito a mão, só que tem muito mais quadrinhos do que textos.


Dentro de sua construção artística , filosófica e visual onde se encontra o blog Peresteca?

O Peresteca é um lugar onde ainda exponho o que vem em minha mente, em dias difíceis ou memoráveis da minha vida. Preciso de uma válvula para despejar tudo o que penso e associo do mundo em que vivo. O Peresteca sou eu.

E seus cartuns?


A arte visual é poderosa e capaz de criar polêmicas. Infelizmente, investe-se muito em pouco nesse tipo de arte. Prezam a arte que traz o maior retorno financeiro. Algumas, não são nem dignas de serem chamadas de arte. Destroem a mente do povo.

Nos fale do seu início no mundo dos fanzines e porque ainda acreditar nessa arte ainda tão exclusa da grande mídia.

Comecei em 1993, aos 16 anos, com o fanzine "Terceiro Mundo- O submundo dos ratos", no qual já participavam meus velhos amigos de produção artística. O contato com o ideário anarquista punk e a relativa influência do conceito de liberdade do movimento hippie são meus pontos de partida para o que produzo. A arte do povo contemporâneo, excepcionalmente a arte dos mais simples, é a verdadeira arte que contará fielmente o que aconteceu por aqui, para possíveis futuras espécies.

Onde Nihildamus é Alexandre Mendes e onde Alexandre Mendes é Nihildamus?

Nihildamus é uma parte de mim que simboliza o fim de tudo. Cada vez que ocorre as experiências ruins, ele se fortalece. Negar a vida vivida sobre parâmetros sociais impostos, peregrinação pela pregação do nada e a solidão. As vezes, ele diz coisas que não fazem sentido para mim e luta para que eu aperte o botão do foda-se para a vida. As vezes fico preocupado com isso...






E o Coletivo Zine?

O Coletivo Zine é uma inteligente estratégia de integração artística dos zineiros, criada pelo Wagner Teixeira. Eu participo com muito orgulho. Uma iniciativa dessas não pode ser desprezada, jamais.


E o impresso das comunidades?

O IDC foi um trabalho que me deu muito prazer de desenvolver ao lado do Fabio Barbosa e apoio em geral. Gostaria um dia de voltar a desenvolver o informativo. Aliás, se eu pudesse só trabalhar nele e sobreviver disso, começaria agora.

Agora é a sua hora falar o  que quiser. Fale. Desabafe. Diga o que quiser.

Não assistam novelas e outros programas medíocres que possam atrofiar a mente de vocês.
Não creiam em uma pessoa, somente porque ela diz e faz algo durante anos que possa parecer bom.
Não creiam cegamente em tudo que lhe ensinam.
Não tenham medo de desafiar as eternas verdades do mundo.

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* Entrevista retirada do blog Fetozine   ( http://fetozine.blogspot.com.br/ do artista plástico, poeta e cartunista Diego El khouri