COLETIVO ZINE
O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Conversa Rápida com Fábio da Silva Barbosa
Fanzines como ''Reboco Caído'' e ''Gambiarra'', Jornal ''Impresso das Comunidades'' e o Programa de rádio online '' Hora Macabra'' de rock pesado, são trabalhos desse jornalista de Niterói-RJ que impressionam bastante.
Dotado de uma facilidade com as palavras, o moço vem fazendo delas seu trabalho e sua arma, com um jornalismo voltado para a arte alternativa e o quotidiano das comunidades.
-o-
Fábio, vou começar com uma pergunta bem clichê. Desde quando usa as mídias independentes como uma de suas formas de expressões? Quando percebeu que poderia usá-las?
Comecei muito antes de saber exatamente o que eram essas mídias. Quando ia ao colégio, ainda bem moleque, comecei a idealizar, com o único amigo que tinha, umas paradas muito loucas. Isso em um tempo em que sofria bullying por não me enquadrar no perfil da playboizada. Antes de aprender que não precisava passar por nada daquilo. O cara desenhava muito e eu vinha com as ideias. Fizemos uma galeria de personagens.. Mas acabou que a coisa parou antes de começar. Estávamos imbuídos daqueles fantásticos quadrinhos nacionais (Chiclete com Banana, Geraldão, Piratas do Tietê...). Tava ficando bacana. Uma pena não ter fluído. Mas lembro que teve umas eleições para alguma coisa e fizemos uns panfletos e cartazes do Partido Prostituto Cristão. Era tudo feito no caderno, durante a aula. Ao invés de estudar, ficava cochichando no ouvido do meu amigo desenhista as insanidades que passavam na minha cabeça e ele ia desenhando. Era um colégio católico e a parada deu a maior merda. Talvez ali tenha nascido a semente do que ainda nem sabia o que era. Depois foram acontecendo outras coisas, fui armazenando mais informações... O garoto bonzinho que só se fudia virou um puta delinquente... hahahahhaha... E lá pelo início dos anos 90 ou finalzinho dos 80 fui convidado pelo amigo Winter Bastos a participar do zine Terceiro Mundo. Mas, com o tempo, a coisa foi evoluindo muito até chegar onde está. E ainda tem muito o que melhorar. Eu usava, mas não sei... Era muita loucura. Eu trabalho com esses lances desde muito novo, mas... Sei lá... Já mudei tanto de lá para cá que não sei mais falar daquele moleque de 14 anos, completamente descontrolado. O episódio do colégio então, veio bem antes. É a primeira entrevista que lembro de comentar essa passagem.

No Fanzine '' Reboco Caído- Edição 04'' contém uma reflexão profunda sobre a Língua Portuguesa no texto '' Língua rica ou confusa?'' onde você crítica o exagero do meio acadêmico com a ''gramática correta'', o que acaba excluindo grande parte das pessoas de defenderem suas ideias com autonomia. Conte-nos mais sobre isso, e o que a Literatura Marginal tem haver com essa ideia.
Esse texto saiu pela primeira vez no O Berro, logo nos primeiros números. Aquele zine tava numa época ótima. Depois saiu no livro "Um ano de Berro". No Reboco 04 resolvi colocá-lo na roda de novo. É um dos textos que estão entre meus preferidos. O orgulho do papai. hahahahahhaha.... Ele registra exatamente o que penso. É um dos textos que ainda concordo, mesmo tendo sido escrito há algum tempo atrás. Minha opinião ainda continua a mesma quanto a essa ideia. Dia desses um amigo mandou um texto do Fernando Pessoa que falava sobre esse mesmo tema. Acho que era do Pessoa. Bem... Não irei lembrar disso agora. Não tem importância. O que realmente importa é a ideia questionadora e de oposição que existe nele. E não é oposição pura e simples. Não é aquela coisa de querer ser do contra. Os argumentos estão lá. Quem ainda não leu, pode encontrar no linkhttp://expressaoliberta.blogspot.com.br/2010/07/lingua-rica-ou-confusa.html Agora que meu blog não existe mais, tenho de catar minhas coisas espalhadas por aí. Mas essas ideias contidas nele tem tudo haver com a literatura marginal. É para isso que a cultura marginal serve. Para se opor, para questionar... Para se chocar contra o que está estático, apodrecendo. É como ser um piloto suicida.
Você se considera um ativista? Se sim, por que adotou esse estilo de vida em uma sociedade tão individualista?
Acho que atualmente não tenho atuado tanto para me considerar um ativista. Um ativista tem de estar constantemente na frente de batalha, promovendo um trabalho incansável e infinito. Estou numa fase nova. Acabei de me mudar para o Sul sem nenhuma estrutura ou conhecimento do lugar. Muita coisa diferente acontecendo. Novos desafios. Tô aprendendo muita coisa, fazendo novos contatos e dando meu jeito para sobreviver. Tenho lido e vivido bastante. Estou estruturando alguns novos projetos. Tenho apresentado algumas palestras sobre fanzines e outras sobre jornalismo comunitário por aqui. O livro que estou na correria para rodar... Mas são sempre aquelas dificuldades que um escritor sem grana e que não faz um trabalhinho de merda tem de enfrentar. Até participei de algumas manifestações e movimentações por aqui, mas tenho deixado muito do tempo que empregava na militância para me dedicar aos processos da vida. Meus processos internos estão tendo prioridade. Isso, com certeza, não deixa de ser revolucionário. Sem se revolucionar, você não consegue revolucionar nada ao seu redor. Normalmente, os processos internos e externos acontecem ao mesmo tempo, mas as vezes a balança se desequilibra. Isso é normal e saudável.
Mesmo não estando na situação em que se possa denominar de ativismo, vou responder a segunda pergunta. A sociedade só está do jeito que está porque houve um trabalho para ela ficar assim. As coisas não estão do jeito que estão por ser o único caminho, o caminho natural... Nada disso. Houve toda uma caminhada para chegarmos na situação atual. Lutar por mudanças é trabalhar por um mundo diferente. Militar pela transformação é fazer parte da construção de uma outra realidade. Assim como fizeram anos de transformações para tudo ficar do jeito que está, podemos fazer outras transformações para que tudo fique diferente. Vivermos em uma sociedade como esta é combustível para a luta. De qualquer forma, militando ou não, de um jeito ou de outro, nós estamos sempre contribuindo para as mudanças do mundo. Ele está em constante mudança, independente da nossa vontade. Mesmo não participando, a pessoa está contribuindo para o mundo caminhar para algum lado. O problema é que quando você abre mão de lutar, normalmente está contribuindo para a sociedade caminhar para um lado onde as coisas não ficam muito boas.

O que você acha da '' Inclusão Digital'', e como ela pode afetar a literatura, a arte e as relações pessoais ?
Acho que ela já está afetando tudo. Muitos ainda não tem acesso a esse universo virtual, mas quem já teve e aprendeu a utilizar os novos recursos, tem ótimas opções nas mãos. Para o artista, por exemplo, é uma ótima ferramenta para divulgação e exposição do seu trabalho. Um músico não depende mais de uma gravadora para lançar um cd. Há pouco tempo concebi um trabalho que sabia das dificuldades de encontrar uma editora que se dispuzesse a lançar devido a ousadia de sua proposta. Pois que se fodam as editoras. Fiz um PDF com o bichinho e soltei na rede. O nome desse é "A Saga do Jornalismo Livre - Escritos desorganizados" e pode ser encontrado nos linkshttp://www.slideshare.net/ARITANA/a-saga-do-jornalismo-livre-2-verso ehttp://www.koosb.com/livro.php?livro=3471. Se por acaso eu ver que esse novo tá muito complicado de lançar impresso também, mando a editora as favas e lanço o PDF. Claro que o virtual nunca vai substituir o impresso. Nem se compara. Mas é mais uma possibilidade. Não tenho que deixar meus escritos mofando numa gaveta por não querer me enquadrar na caretice alheia. Agora, é claro que esses novos meios, como todas as ferramentas que existem, dependem de quem usa para determinar sua utilidade. Tem pessoas que jogam a vida fora na frente do computador. Existem os que deixam de viver no mundo real para ficar só no virtual. Quantas pessoas confirmam presença em uma manifestação numa comunidade ou página da internet e chega na hora e não aparece. Isso é que não pode acontecer.
Acha que a cultura dos Fanzines sofre ameaça pela cultura blogueira?
Acho que os novos meios não ameaçam aos antigos. Eles servem como complemento. Sempre comparo essa questão dos meios virtuais com o surgimento da TV. Todos diziam que o rádio ia acabar, mas o bichinho tá aí até hoje. Lógico que atenção que um veículo recebia será dividida entre as novas possibilidades. Mudanças também são naturais. Fazem parte daquilo que estávamos conversando ainda agora. Independente da nossa vontade, as mudanças não param de acontecer. Nossa escolha consiste em fazer parte e decidir sobre essas mudanças ou deixarmos que os outros decidam por nós. Eu, por exemplo, já fui muito mais ativo na internet, mas reconheço que ando meio enjoado do computador. Atualmente priorizo muito mais os meios impressos e o contato pessoal. É aquela história da novidade. Quando surge é um tumulto, mas depois as pessoas vão reconhecendo aquela novidade como uma coisa entre todas as outras. O lance é que a velocidade dos acontecimentos não é tão rápida quando nós queremos ou acreditamos. Talvez seja nosso curto tempo de vida útil, somado a essa velocidade lenta dos acontecimentos relevantes que nos passe a impressão de definitivo. O caso é que tudo tem sempre vários ângulos. Mas acredito que o blog e o zine possam se complementar e seguir de mãos dadas, sem maiores problemas.

Pretende vir aqui em Goiânia prestigiar seus colegas? O que pensa sobre Goiânia?
Gostaria muito de ir aí para conhecer essa galera que vem fazendo um trabalho tão bom. O único que pude conhecer pessoalmente até agora foi o Diego, mas já saquei a energia da rapaziada e vi que é coisa boa. Quanto ao lugar, prefiro esperar uma oportunidade de ver com meus próprios olhos e daí dizer qual é. Mas um jardim onde brotam flores tão belas, não pode ser ruim. Mesmo sendo minhas queridas flores do mal. Principalmente por isso. Ou pode? Sei lá. Só vendo. Ou não? Forte abraço a todos vocês.
Anna Alchuffi
Quase Metrópole
O relógio que marca meu tempo vai marcar meu rosto. Quem dita as coisas da vida é o tempo que se passa sobre nós, e o tempo que foi perdido é melhor ser esquecido, e na lapide gravado:
'' AGORA JAZ O TEMPO!''
Se eu chegar a ser careta, terei algumas ou inúmeras manias que ma trarão nostalgia. Mas eu sou nada na rua asfaltada e sinalizada de uma cidade quase metrópole, e quase metrópole remete a característica pura do forte consumo arraigado em um país que para deixar a estaca de subdesenvolvido deveria abandonar a roupagem de sacanagem explicita com a fome e a imagem, com a arte e com o boçal.
E eu continuo fruto das horas que perdi nas ruas. Sonhos, contracultura, hedonismo chulo, meninas vestindo-se de homem para arder.
Se eu chegar a ser careta vou tentar impedir a novaidade com todo o charme que um grisalho pode dar, para mim que ainda sou maluca só vejo que
TROPICALISMO ERA ESPELHO SOCIAL, JÁ ERA!
ERA, ERA, ERA........
(Anna Alchuffi)
'' AGORA JAZ O TEMPO!''
Se eu chegar a ser careta, terei algumas ou inúmeras manias que ma trarão nostalgia. Mas eu sou nada na rua asfaltada e sinalizada de uma cidade quase metrópole, e quase metrópole remete a característica pura do forte consumo arraigado em um país que para deixar a estaca de subdesenvolvido deveria abandonar a roupagem de sacanagem explicita com a fome e a imagem, com a arte e com o boçal.
E eu continuo fruto das horas que perdi nas ruas. Sonhos, contracultura, hedonismo chulo, meninas vestindo-se de homem para arder.
Se eu chegar a ser careta vou tentar impedir a novaidade com todo o charme que um grisalho pode dar, para mim que ainda sou maluca só vejo que
TROPICALISMO ERA ESPELHO SOCIAL, JÁ ERA!
ERA, ERA, ERA........
(Anna Alchuffi)
quinta-feira, 17 de maio de 2012
O grande Truque
A
plateia acompanhava atentamente os movimentos do grande mágico que prometera
naquela noite realizar a sua obra prima.
Jack
era um mágico ambicioso de meia idade, e ele escolhera o palco do Cassino
Royale em Las Vegas para apresentar o seu maior truque de mágica: “Fazer
desaparecer da Terra tudo o que ele não gostava”.
A
casa estava lotada e o espetáculo estava sendo transmitido ao vivo por alguns
canais de televisão, seria o maior truque de mágica já visto no mundo.
O
mágico tinha acabado de proferir as palavras mágicas e ao abrir os olhos cheios
de expectativa percebeu que o truque funcionara. O salão estava vazio. Jack
fizera a platéia inteira desaparecer.
E
não apenas a platéia. Jack havia realizado com sucesso sua maior proeza. Fez
tudo o que não gostava sumir. Não havia mais pessoas sobre a face da Terra.
O
magico-sociopata caminhou orgulhoso pelo palco. Enfim teve êxito em seu grande
truque, após anos e anos de preparação.
Mas
algo ainda o perturbava. Faltava alguma coisa. Sentia que o espetáculo ainda
não estava completo.
Ah,
sim.
Faltaram
os aplausos.
Produção coletiva: Cacau Cruz e Wagner T.
sábado, 12 de maio de 2012
A MUSA INCENDIÁRIA
(texto e desenho: Diego EL Khouri)
Sou o incendiário das ruas de Stalingrado
Meu pênis-fogo não sacia sua fome de amor
Olhos turvos perante a noite no deus prenhe-tesão
Alimento a vida em suas pernas poetisa gazela leoa
Tua bunda toda boa é guerra sem cortes
Pornografia sem censura inflamação louca
Minha assinatura fecha o ponto abarca a vida
A sede produz correntezas
Conduzindo o esperma às lágrimas que te moldaram nua
Poesia deve ser uma viagem chula (profunda) absurda
Bombardeio insensível na sensibilidade da noite
Te chupo toda gazela louca
Que escreve poesias com a alma rouca cheia de força
insubmissa perante falos submissa perante orgasmos
calcinha enfiada no cume da madrugada
arranco com os dentes
onde vejo um líquido branco molhar sua vagina de espanto.
Sou o incendiário das ruas de Stalingrado
Meu pênis-fogo não sacia sua fome de amor
Olhos turvos perante a noite no deus prenhe-tesão
Alimento a vida em suas pernas poetisa gazela leoa
Tua bunda toda boa é guerra sem cortes
Pornografia sem censura inflamação louca
Minha assinatura fecha o ponto abarca a vida
A sede produz correntezas
Conduzindo o esperma às lágrimas que te moldaram nua
Poesia deve ser uma viagem chula (profunda) absurda
Bombardeio insensível na sensibilidade da noite
Te chupo toda gazela louca
Que escreve poesias com a alma rouca cheia de força
insubmissa perante falos submissa perante orgasmos
calcinha enfiada no cume da madrugada
arranco com os dentes
onde vejo um líquido branco molhar sua vagina de espanto.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Um papo com o Goma
O espaço também está aberto para entrevistas. Segue a que o Fabio realizou com o ilustrador Goma:
Um papo com o Goma
Por:
Fabio da Silva Barbosa
Esse
é o Goma: Paulistano da safra de 88, atualmente
começou uma série de ilustrações com o título Tempo Seco e vem conquistando
espaço e mostrando cada vez mais sua cara. Então, manda a goma aí:
Como nasceu
Goma e quem era o Goma antes do Goma nascer?
Tem muito
Thiago Gomes nesse país - Putz! - e pensei que Goma teriam menos. Depois vi que
goma (entre outros significados) é a união de vários elementos, uma goma mesmo.
E isso é uma coisa boa, porque gosto disso, misturar referências. E o
aprendizado é uma coisa eterna. Então, estarei sempre buscando algo, misturando
coisas, fazendo gomas.
Por que
desenhar?
Porque me sinto a
vontade desenhando, é natural pra mim, tenho gana para aprender mais e me
expresso melhor pelo desenho. Embora aprecie muito o audiovisual e a música, não
seria o mesmo. São coisas que me cativam e motivam a desenhar, mas.... essas
áreas estão em um eterno namoro, então pode ser que um dia role algo também.
haha!
Colorido
ou preto e branco?
Haaa...
Os dois têm seus prós... Tem momento pra tudo. Gosto dos dois!
Defina o
ato de desenhar
Pergunta
difícil... Não sei responder... Talvez, assim como qualquer outro tipo de arte,
trazer a tona o que tá dentro de você, o que você não aguenta segurar só pra
ti!
Fale
sobre Tempo Seco
Tempo
Seco é o que não aguento segurar só pra mim sobre SP. O nome é uma referência a
maioria dos dias em SP: Seco mesmo, poluído e sem umidade. Tá muito no começo
ainda e pretendo explorar mais essa série, que é um olhar sobre vários momentos
na vida das pessoas, no cotidiano da cidade, momentos de tensão, lazer, tristeza,
lirismo, depressão, ódio e etc... sempre tendo como pano de fundo a minha visão
da cidade, a minha SP!!
Solta os
cachorros
Organização
é a base pra tudo no trabalho, na vida, na cena! Nos organizando, podemos sempre
construir coisas maiores!!
E
sejam bem vindos ao Tempo Seco: http://goma-blog.blogspot.com.br/
Valeu
pelo espaço, Fabio.
Abraço a
todos ;)
quarta-feira, 25 de abril de 2012
sábado, 24 de março de 2012
MEDALHA ROTA NO CANTO DA BOCA
(Por Diego El Khouri)
Aos medalhões do século que grudam seus lábios
na consciência fétida
dos poetas-loucos
uma última constatação:
a mortelevebreve
arquejando os sonhos à sensação inóspita
que o desajeito da alma anuncia
é assim a minha vida todos os dias
a flor que beija a manhã
sem aviso prévio
picotada em inúmeras faces
a camada de ozônio destruída
na boca-bueiro capitalista
a barba reluzente escondendo agonia
da face em máscara medicinal
o barulho sujo dos carros à manhã nucpcial da dor
em fileiras hediondas escravos wave foda espinhos brancos
filetes de esperma
um canto que fere outro que alivia
essa é a rotina todos os dias
o velho-menino bêbado
nas dores do álcool falido
fermentando poesia
ando só sem pai nem mãe
nem ventre nem deus
solta volta enrola e volta
a epiderme religiosa
mergulhada num mar sem fim
prodigiosa imponênsia lúcida
os cortes as vísceras os rins
essa é a manhã que se insinua pra mim?
Aos medalhões do século que grudam seus lábios
na consciência fétida
dos poetas-loucos
uma última constatação:
a mortelevebreve
arquejando os sonhos à sensação inóspita
que o desajeito da alma anuncia
é assim a minha vida todos os dias
a flor que beija a manhã
sem aviso prévio
picotada em inúmeras faces
a camada de ozônio destruída
na boca-bueiro capitalista
a barba reluzente escondendo agonia
da face em máscara medicinal
o barulho sujo dos carros à manhã nucpcial da dor
em fileiras hediondas escravos wave foda espinhos brancos
filetes de esperma
um canto que fere outro que alivia
essa é a rotina todos os dias
o velho-menino bêbado
nas dores do álcool falido
fermentando poesia
ando só sem pai nem mãe
nem ventre nem deus
solta volta enrola e volta
a epiderme religiosa
mergulhada num mar sem fim
prodigiosa imponênsia lúcida
os cortes as vísceras os rins
essa é a manhã que se insinua pra mim?
segunda-feira, 19 de março de 2012
VALENSI HARIEL
Nova colaboradora no Coletivo Zine. Mais uma goiana, a artista plástica,desenhista, Valensi Hariel. Eis aí alguma de suas obras:
sexta-feira, 16 de março de 2012
CracolândiaDisneylândia
CracolândiaDisneylândia
Por: Fabio da Silva Barbosa
fuma garoto a pedra
sonha sonhos de menino
a garota do mais tempo no vício
não pode mais sonhar
amigo palavra distante
talvez só mesmo o cachimbo
a toda hora chega gente
a toda hora gente vai
para onde estamos indo
para onde a gente vai
quarta-feira, 14 de março de 2012
Ela disse adeus
Chorei até cansar.
E dormi tentando esquecer,
a falta que ela me faz,
desde quando a vi morrer.
quarta-feira, 7 de março de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
A cagada
A cagada
Por:
Fabio da Silva Barbosa
Ele
enchia as mãos na vasilha repleta de comprimidos levando alguns a boca, sem
desviar os olhos da televisão, enquanto sua esposa folheava uma espécie de
álbum com diversos medicamentos de tarjas coloridas. Se demorava um pouco mais
nos de tarja preta. Eu tomava uma cerveja, enquanto pensava em parar de beber,
e fumava um cigarro, enquanto pensava em parar de fumar. Achei que era hora de
dizer alguma coisa e perguntei se não tinha problema tomar comprimidos como se
fossem jujubas. Ele desviou os olhos da tv lentamente e me encarou com um olhar
vazio.
- Isso
aqui não é brincadeira. Tomo porque minha médica receitou. Não se pode dar mole
com isso. É coisa séria.
- Mas,
ela sabe que você passa o dia inteiro tomando isso e que mistura com álcool.
Pensei
estar sendo impertinente, mas ele sorriu dizendo que lembrei de algo
importante. Ao vê-lo se dirigindo para a cozinha, pensei que ia pegar o álcool
de acender a churrasqueira que sempre estava por ali para dar umas goladas, mas
ele voltou com uma garrafa de Whisky.
Nesse momento, uma das crianças (algumas eram filhas e filhos dela,
outras dele e algumas apareciam por ali como por encanto) estacou a nossa frente com olhos
cansados.
- Tô com
fome...
Ele
cutucou a esposa que, desgrudando os olhos das páginas de seu álbum, disse
alguma coisa que não consegui entender. A menina, já habituada com esse
dialeto, parece ter entendido. Foi até o quarto e sentou na cama onde já haviam
crianças dormindo. A essa altura, a mãe tinha voltado a analisar as páginas do
álbum.
Inclinei-me
um pouco para o lado para soltar um peido, mas, para minha surpresa, senti um
quilo de merda enchendo minha cueca. Permaneci de lado, preocupado com o sofá.
Olhei em volta, mas parecia que ninguém tinha percebido. Tudo continuava como
antes. Ela olhando as páginas e ele fixado na televisão, revezando entre a
bebida e os comprimidos. Me inclinei para frente, apoiando o copo sobre a mesa.
O movimento me fez perceber que a cueca estava mais cheia do que imaginava e
provavelmente já tinha deixado passar seu recheio para a calça. Voltei
rapidamente para a posição meio que de lado. Não parava de pensar no sofá. O
cheiro estava tomando conta do ambiente e eles pareciam não se dar conta.
Fui assaltado por algumas cólicas. Dei um pulo em direção ao banheiro.
Acabei de
esvaziar o intestino e fui lavar a roupa na pia. Tava tudo uma merda só. Foi aí
que começou uma barulheira sem fim. Vozes estranhas berravam, crianças choravam
e tudo parecia estar quebrando pela casa. Pensei em abrir a porta, quando os
tiros me fizeram mudar de idéia. Pulei pela janelinha que dava para o quintal e
corri para a rua na madrugada fria. Percorri alguns quarteirões a toda
velocidade até dar de cara com o carro da polícia dobrando esquina. Pensei
muito rapidamente no que dizer. Não seria boa idéia contar que estava na casa
de meus amigos comedores de comprimidos... Não deu tempo de pensar em mais
nada. Lembrei que estava completamente nu da cintura para
baixo.
- Para
aí, malandro!
Daí por
diante, passou tudo muito rápido e fui jogado aqui. Algum vizinho me viu
pulando sem roupa para a rua e resolveram que era melhor me guardar aqui até
tudo ficar esclarecido. Como estamos completamente a mercê disso que eles
chamam de justiça, não me resta outra opção até julgarem que eu possa sair.
- Isso,
se eles lembrarem de você. Já era para eu ter saído a mais de uma semana e
ainda não me soltaram.
- E você
não tentou falar com ninguém?
- Tentei,
mas o carcereiro me quebrou duas costelas e disse que se não me aquietasse iria
me deixar aqui mais um ano.
- E seu
advogado?
-
Advogado? Dá para ver que você não conhece como funciona isso aqui. Advogado é
para quem tem dinheiro. A gente que conta com defensor público tem de contar
com a lembrança dos outros.
- Meu
julgamento já foi adiado duas vezes e ninguém vem me visitar.
- Eu já
passei por aqui algumas vezes e sei bem como é isso que vocês estão
falando.
- Quem é
o cara da cagada?
- Opa...
Sou eu.
- O
hospital disse que a garotinha que tinha sobrevivido acabou de morrer e até
agora você é o único suspeito detido. O delegado mandou avisar que o melhor a
fazer é entregar seus camaradas.
- Mas...
- Não
precisa falar nada agora. Daqui a pouco Carinhoso vai vir te
buscar.
Pelo
visto, a cagada estava apenas começando.
quinta-feira, 1 de março de 2012
RESQUÍCIOS DO NADA
(POR DIEGO EL KHOURI)
COMI
RESQUÍCIOS DE SEU
OLFATO
TRAVEI A INÚTIL BATALHA
DO
NADA.
VI O QUANTO DEUS É OTÁRIO
POR TER FEITO O HOMEM
TÃO ORDINÁRIO
NOS RETRATOS SISTEMÁTICOS
DAQUELES QUE REZAM SEM SAPATO
VOLTEI
MÚLTIPLO ESCLEROSADO
ROENDO
OS
CACOS
DO
F
R
A
C A
S
S O
QUE INUTILMENTE
OS ANOS REMENDAM
NA AVENTURA RIDÍCULA E MESQUINHA
DO
NADA.
COMI
RESQUÍCIOS DE SEU
OLFATO
TRAVEI A INÚTIL BATALHA
DO
NADA.
VI O QUANTO DEUS É OTÁRIO
POR TER FEITO O HOMEM
TÃO ORDINÁRIO
NOS RETRATOS SISTEMÁTICOS
DAQUELES QUE REZAM SEM SAPATO
VOLTEI
MÚLTIPLO ESCLEROSADO
ROENDO
OS
CACOS
DO
F
R
A
C A
S
S O
QUE INUTILMENTE
OS ANOS REMENDAM
NA AVENTURA RIDÍCULA E MESQUINHA
DO
NADA.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Amor fati
Acho que é assim que tudo termina.
Uma semente germina, uma flor nasce e no outro dia morre.
Aqui tudo que se planta também se colhe.
E um dia, o coração pára de bater?
Eu te escrevo e você me apaga.
A mão que me bate também me afaga, mas nem por isso deixa de doer.
Uma semente germina, uma flor nasce e no outro dia morre.
Aqui tudo que se planta também se colhe.
E um dia, o coração pára de bater?
Eu te escrevo e você me apaga.
A mão que me bate também me afaga, mas nem por isso deixa de doer.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Bom dia
Por: Fabio da Silva Barbosa
Acordei com a cama se mexendo e sentindo algo
estranho entre minhas pernas. Novamente dormi bêbada. Olhei discretamente as
mãos que apertavam meus peitos. Não dava para tirar grandes conclusões apenas
pelas mãos. Ainda mais no escuro. De qualquer forma, não parecia mão conhecida.
Merda... Lá vem o idiota beijando meu pescoço. Ai... Que dor de cabeça...
Melhor fechar os olhos para o infeliz não saber que estou acordada. Espera um
pouco... O que é isso nas minhas costas? Peitos? Olhei melhor para as mãos e,
mesmo naquela escuridão, pude perceber que estavam com as unhas pintadas.
Comecei a virar lentamente e me deparei com uma
linda mulher. Fui virando até me por de frente para ela. Senti seu pau saindo
de minha boceta. Era um pau enorme. Olhei bem para aquele rosto (assim que
desviei o olhar do cacete) e ela me beijou com calor. Depois de nos apertar e
esfregar durante um tempo, olhei no fundo de seus olhos e perguntei:
- Mas... Quem é você?
Ela me largou e se levantou de um salto. Pude ver
seu corpo por inteiro. Era o corpo feminino mais belo que já vi e nele se
balançava um pau maravilhoso.
- Como assim?... Você não lembra? Não sabe quem
sou?
Levantei a parte superior do meu corpo e tentei
segurar o membro que parecia me olhar. Ela se afastou, se cobrindo com uma
toalha que estava jogada por ali. Parecia uma donzela envergonhada. Fui me
arrastando até a borda da cama e sentei.
- Calma... Me desculpa... Mas o que aconteceu
ontem? Álcool? Drogas?
- Não acredito nisso. Cachorra!!! Vadia!!! –
Gritava, enquanto se arrumava.
- Por favor... Me entenda...
Ela acabou de se arrumar, já saindo pela porta. Os
seios siliconados ainda estavam a mostra quando saiu rosnando. Caí de costas na
cama e fiquei olhando para o teto.
- Quem será aquela criatura? ...
Apalpei uma carteira que estava abandonada no canto
da cama. Era uma carteira feminina. Dentro haviam alguns papéis com números
telefônicos anotados, algumas notas e um documento de identidade. Na foto, um
homem de bigodes estava a me olhar. No meio daquela expressão máscula, pude
reconhecer aquele rosto feminino que acabara de ir embora. Carlos Cleber
Carmindo, era o nome dela. Pela data de nascimento tinha 43, assim como eu.
Abri os braços deixando a carteira e o documento se
desprenderem de minhas mãos. Sempre gostei das minhas mãos. Achava que elas
eram perfeitas. Voltei a fitar o teto. Eu não fazia a menor idéia de onde era
aquele teto.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Tá combinado
Vamos, me dê a sua mão. Vamos pular?
Pular?Ah, isso é coisa de medroso!
Nessa vida eu quero é me jogar com você!
Pular?Ah, isso é coisa de medroso!
Nessa vida eu quero é me jogar com você!
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Linha dura nos olhos dos outros é refresco
Por:
Fabio da Silva Barbosa
As ruas
começavam a ganhar movimento. Entre uma brincadeira e outra, os camelôs
arrumavam suas mercadorias. Logo as vans começaram a chegar e a despejar
passageiros por toda a parte. Os primeiros pedestres já se esbarravam pelas
esquinas.
- Olha o
suco de laranja.
- Vai um
biscoito aí, madame?
- Ó o
cordão. É prata pura.
A manhã
foi correndo tranquila no que já havia se transformado em um formigueiro
humano.
- Olha o
rapa.
Pronto.
Essa frase acabou com toda a tranquilidade dos que tentavam ganhar uns trocados
para viver e dos que compravam suas mercadorias. Quem podia meter o tabuleiro
na cabeça, saiu correndo. Dona Marrequita se debruçou, desesperada, sobre suas
frutas.
- Por
favor... Não levem minhas mercadorias. É tudo que eu tenho para sustentar meus
filhos.
Levaram-na
por desacato a autoridade.
- Pera
aí, porra. - Gritava o garoto dos relógios vendo sua mercadoria ser jogada na
carroceria de um carro da Prefeitura.
Logo a
confusão estava generalizada. Alguém não suportou ver seu ganha pão ser tomado
e resolveu argumentar. Mas quem é pago para manter a ordem, nem sempre está
aberto a diálogo e a discussão virou briga. Cassetetes, pedras... Violência
para todo o lado. Era a ordem pública e o bem estar geral sendo empurrado goela
abaixo de quem não tem grana.
Belmiro
chegou em casa machucado e sem o dinheiro para comprar o macarrão do jantar.
Falou com a mulher que teria de conseguir o capital emprestado para comprar
mais mercadorias.
- Calma,
meu bem. Hoje a noite tem festa na quadra. Vai lá e esfria a cabeça. Se distrai
um pouco.
Pois foi
o que Belmiro fez. O pagode estava animado e um amigo o convidou para a
cerveja. Lá pelas dez, o policiamento comunitário chegou. Os policiais desceram
da viatura e foram logo anunciando que estava na hora de terminar a
confraternização.
- Como
assim terminar? – Interveio o cara da barraquinha de cachorro quente.
- É isso
aí. Vocês não pediram permissão para fazer esse evento. – Disse um de bigode,
tomando a frente da conversa.
- Pedir
permissão para quem? Nós sempre fizemos esse encontro para o pessoal da
comunidade ter uma distração e vocês que chegaram aqui ontem me aparecem com
essa marra.
- É isso
aí! Marra dentro da nossa comunidade não! – Concordaram todos.
- Calma,
gente. O que tá havendo aqui? – O Presidente da Associação chegou tentando
acalmar os ânimos.
- Tá
havendo que a gente tá pedindo na educação para acabar a festa e esse pessoal
tá querendo arrumar barulho. Ao invés de agradecer que deixamos rolar até essa
hora, ainda tão reclamando. Agora acabou a bagunça. Temos que organizar a
situação. Para fazer evento tem de pedir permissão e esperar para ver se vai
ser aprovado.
Um
falatório tomou conta da quadra. O Presidente pediu calma e sugeriu:
- A gente
se compromete a pedir a tal da autorização da próxima vez. Dessa vez a festinha
já tá rolando. A gente abaixa o som. Pode ser?
-
Infelizmente, não. Temos de encerrar. – Replicou o de bigode.
- Mas...
Antes do
Presidente argumentar, um sinal, invisível para os moradores, foi dado e os
policiais foram em direção a caixa de som para desligar e mandar os pagodeiros
descerem do palco improvisado. Foi o que faltava para o tumulto começar.
Belmiro passou a mão na cabeça. Já tinha visto esse filme hoje.
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