O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.

domingo, 30 de abril de 2017

Em breve novas postagens

em homenagem ao grande Mestre Mendes.

Vida de Cobrador

A fantástica série de vídeos de Alexandre Mendes sobre seus colegas de trabalho.
https://www.youtube.com/user/axl2284/videos?shelf_id=0&view=0&sort=dd


A DANÇA


Por: Alexandre Mendes e                              
Fabio da Silva Barbosa

Ele estava com as costas na parede. A calça pesava e a merda já escorria pela perna abaixo. A faca pressionava contra seu abdome e seu algoz sorria alucinado. Assim estava ele, já há três dias. Amarrado por cordas em nós de marinheiro, implorava por sua vida. O primeiro dia foi difícil acostumar com aquele hálito: Odor de almíscar com enxofre. Agora, o que o incomodava era o cheiro nauseabundo de sangue. O chão rubro refletia sua dor. Achava que ainda resistiria a duas ou três estocadas. Antes, o pênis e depois a faca. Não aguentava mais tamanha tortura.
- Eu tenho dinheiro! Pelo amor de deus... Me solta!
- AAAAAAAAAAAHHHHH... – Respondia o algoz.
Antes de receber os últimos golpes, lembrou-se de sua mãe e dos tempos de criança. Lembrou-se do pai. Vomitou. Sua vista ficou turva. Seus pensamentos e preocupações foram ficando esquecidos. Tudo indo para o fundo de sua mente.
- O que achou do roteiro? – Perguntou o diretor.
- Não posso fazer esta merda. – Respondeu o ator.
- Não vai fazer? Tem certeza? – Retrucou o diretor puxando a peixeira que estava em baixo da escrivaninha.
- Mas... você não pode agir assim... O que é isso? Tá maluco?
Nesse momento, o diretor olha para cima e grita:
- Que liguem as câmeras... O filme vai começar!           
Sete anões vestindo biquíni fio dental saem dos cantos da sala. Cada um portava um canivete nas mãos e deram várias estocadas nas pernas do ator, que caiu atordoado.
- Luzes! câmeras! Não percam um detalhe da cena. – Ralhava o diretor enquanto riscava a peixeira no ar.
O cu... O brioco... Esse já estava da largura de um mergulhão. A cena foi interrompida e passaram para outro set. Lá, um gigante negro o esperava com o cassetete em chamas. Mas o gigante teve vontade de mijar.
- Não posso dirigir esta merda. – Disse o diretor jogando o roteiro sobre a mesa. – Tenho uma ideia melhor: Façamos um filme sobre um alienígena que chega a Terra e fica amigo das crianças.
O diretor tira a máscara e se revela: Era o Sidney Magal.
E todos foram dançar lambada felizes para sempre.

Andarilho


Por: Alexandre Mendes

Caminho por estradas de murmúrios em pedras
portuguesas, com toda a certeza
e chãos de terra batida
pela água da chuva caida

Tentando explicar o quê antes foi dito
mas falo com rochas, no espelho retorcido

Quem são vocês? Por que não entendem?
Fingindo sorrisos
no fundo só mentem...

Manifesto

Não podemos deixar que uma quantidade insignificante de pessoas, exploradoras da nossa mão de obra e dos nossos impostos, continuem a nos usurpar. Sabemos do aumento de salário dos políticos, que são exorbitantes e ficamos calados. 

Não entendo como o baixo escalão militar pode respeitar seus superiores.
São homens que se sentam com empresários e políticos. Discutem trocas de favores e outras formas de negociata. Enquanto isso, o cidadão comum  fica em segundo plano. Aquele que trabalha e paga os seus impostos, carrega o fardo mais pesado.
São homens que destroem a humanidade e o mundo, utilizando todo o poder e ganância que possuem.
Desfrutam da riqueza que nós produzimos, sem fazer muito esforço. 
Devemos lutar contra isso. Exigir o rebaixamento salarial dos políticos e o fim dos privilégios.
É mais que a nossa obrigação.


                                                                                          Alexandre Mendes
(em julho de 2011)

Acaso

Por Alexandre Mendes


Não estava mais sentindo o chicote estalando em suas costas. Já faziam dois dias que estava amarrado naquela posição.

A dormência, provocada pelo cansaço, substituiu a sua dor.

 - Cinquenta e quatro, cinquenta e cinco, cinq... - Contava em voz alta, o seu senhor.

 - Chiuaf! Chiuaf! - Silvava a vara nas costas do cativo.

 - Ocê num se meti a besta, nunca mais! - Dizia o carrasco, enquanto transpirava de cansaço.

 - Setenta e um, setenta e dois, set... - Lembrou-se da Gâmbia, sua terra natal. Como deveriam estar seus pais? Como deveriam estar todos em sua tribo?

 - Oitenta e três, oitenta e quatro, oit... - Seu senhor contava, enquanto montava no cavalo.

Mama, mimi...nina... nyuma! Mama,...mimi...nina...nyuma! - Arquejou o jovem escravo.

  Abriu os olhos e viu novamente a sua tribo, formada por todos aqueles que se foram, devido a ganância e a ignorância do homem branco. 
  Foi, então, que o seu senhor bateu as esporas no cavalo e sumiu no horizonte, vivendo o resto de sua vida feliz para sempre.


Acaso (versão paralela)


Por: Fabio da Silva Barbosa

 Não estava mais sentindo o cassetete quebrando suas costelas. O spray de pimenta o cegou e estava cada vez mais difícil respirar. A dormência, provocada pelo cansaço, substituiu a sua dor. 


- Esses baderneiros... Filhos da puta... - Comentava o capital 


Os instrumentos eram utilizados sem o menor pudor. O som seco e surdo produzido era indescritível. - BADERNEIRO... FILHO DA PUTA... - Berrava, o agressor, enquanto descia o braço.


 Lembrou-se de sua família, do porque resolveu se envolver naquela manifestação. Será que conseguiriam impedir a desocupação? Para onde iriam todos de sua comunidade?


 - Esses baderneiros... Filhos da puta... - O capital cantarolava, enquanto olhava o noticiário da tv. 


- Por favor... Não... Por favor... Eu sou trabalhador... - Arquejou o jovem espancado. Abriu os olhos e viu novamente sua comunidade, formada por todos aqueles que se foram, devido a ganância e a ignorância do capital. 


Foi, então, que o senhor capital desligou a tv e encheu um copo de whisky, vivendo feliz para sempre.

papai


Por Alexandre Mendes

Hoje eu me lembrei de você
e da sua negligência
Feliz, fácil dia!
como sempre foi pra você

Um filho 
Um fardo
Um legítimo bastardo
O filho que você nunca teve
com a empregada 
que um dia foi sua esposa

A chave da porta
que você balançava
ao chegar em casa
não me impressiona mais

você tem razão
filho é empecilho

Feliz dia dos pais

Belo Bela Vista

Por: Alexandre Mendes


Uma cerca farpada
De mato, uma muralha
Monte belo
Bela Vista

De condição precária
e íngreme subida
Ruelas esquecidas
Barro esgoto, sem saída

É daí que galo canta,
vento sopra bananeira
vida passa devagar
frente cama, na cadeira

O sol escala o céu,
roupa limpa, no varal
O quente se aproxima,
e seca a terra do quintal


Merlin é uma farsa

Cansado de estar no meio
dos humanos e da hipocrisia
Eu ria...
Cansado de tudo que vivi com eles
Sinto agora o amargo gosto
da insipidez do mundo
Guela adentro
neste momento

Por: Alexandre Mendes

REFLEX



Por Alexandre Mendes

Ninguém sabe ao certo

A origem da certeza

Do errado e do correto

Pois, tentando ser honesto,

O certo é descarado

Criação do concreto,

transforma o ser mandado

em desenho animado

 personagem objeto

Boa Noite

Por: Alexandre Mendes 

(Para Wilian)


No ápice da madrugada,
 esparramou-se, defronte a estrada
virou os olhos para os lados
deus adeus, fitando o nada
 É, vizinho...
Quatro é o número do azar
deixou sua amada em prantos 
olhando você descer no abismo
e três lindas menininhas pra criar..

Dias Cinzas

domingo, 23 de outubro de 2011


Abri um olho
o outro faço questão de manter fechado
quero ver a realidade, 
com um pé no mundo da ilusão...


bolas rosadas descem pela garganta,
facilitando a caminhada pelo bosque 
que a minha imaginação construiu
longe da malandragem, bem distante da morte


menos um menino, menos um rapaz,
mal começou a ser adulto
com a boca na terra
por detrás do arbusto


Parem essa bola maldita!
Não quero mais sentir ela rodando...
Belos sorrisos, rostos alegres
crianças felizes, dos seriados de TV
Eu quero esse mundo....
Eu quero esse mundo....
Não é pedir demais


Vou dobrar a dosagem,
Para ver se eu chego lá....


Por: Não importa quem....mais um....somente mais um...

FIM

Por Alexandre Mendes



A palavra fim é o que move os seres dotados de inteligência, desde os primórdios.Assim que o primeiro hominídeo caiu morto ou foi devorado, os seres que assistiram o espetáculo, se conscientizaram que havia um fim para as suas vidas. Tal fato desesperador fez com que o homem começasse a crer no invisível e em várias formas de além para a vida.
A busca incessante pelo poder, custe o que custar, em detrimento de milhares é um dos objetivos inconscientemente construídos, para fazer valer a vida enquanto ela é vivida.
   Outras sociedades que sucubiram ao objetivo acima descrito, e que não descambaram para a usurpação do ser humano, foram as indígenas. Excetuando a escravização de alguns índios de tribos inimigas, a organização social do índio era muito mais amena.
Os índios plantavam, caçavam, pescavam, preparavam utensílios domésticos, traziam o alimento para a aldeia, faziam a refeição e descansavam o resto do dia.
   Entretanto, eles também tinham medo do fim e criaram deuses e curandeiros.
  Os Astecas, por exemplo, sacrificavam diversas pessoas, todos os dias, com medo de que o sol nunca mais nascesse...
Não. Eu acho que ainda não é o ...

Jesuira

Por Alexandre Mendes

Opa! São eles!
Abaixa aí!
Não se mexe!
coração batendo a mil
já vi aquele carro
sinistro
vou meter o pé
até

F

Por Alexandre Mendes

Medo do mundo e de todas as estranhas entranhas
apavoram, desafiam...
Universo oculto, seria deselegante
Se eu procurasse você?
Ele tem a lei
Ele tem a lei?
Será que tem?
Ah! Deve ter, sabe-se lá o quê.
Ele tem toda confiança da Pólis
E anda mascarado, ao meio dia
para mim...para você!
As verdades que dizem na freguesia
um dia, foram verdades absolutas
Parasitas em pensamento apático
o tempo todo, de geração a geração
Pode até ser que alguém me diga
que o bom velhinho, guarda a lei
abraçando a parasita
Vi tudo
Fechei os olhos
e, de todo coração
construí o meu belo mundo...

Tranca

Por Alexandre Mendes
Reclamação e indignação
A multidão bradava em prantos
por justiça e liberdade
Por aqui, em todos os cantos,
clamavam os páreas da cidade,
De repente, na madrugada
ouviu-se um forte estrondo
que vinha da parte mais elevada
estampido estampado pelo vão
da telha cinza-claro adentro
deitados no colchão
sem expor o seu lamento
Boca fechada, nem mais uma palavra.

MIFE



Por: Alexandre Mendes

Sólidas paredes emergem ao redor
A cidade tem um sobrenome...é caos!
Hambúrguer, panelas, mulheres e homens
caminham rumo a trilha
um tanto imposta; um pouco escolhida, 
Gritos de solidão em murmúrios coletivos...
O frio da noite esquenta o que pode vir a acontecer
Quem está ao lado, vai ficar de lado
Corda, pescoço, pistola, pelado
Mata, correndo, chorando, deitado
Sol quente, cinzas, nuvens...
_Nublado_

Chapunaré

Por: Alexandre Mendes

As pedras são testemunhas: uma janela aberta no espaço tempo.
Essência, moral e história do mundo, em tudo que sente, mas não admite; que vê, mas finge que não conhece.
Quase se torna impossível, a passagem da memória, pela fúria do trovão. As ervas daninhas cercam a figura.
Foi na exata madrugada do dia quinze que ele tirou a venda e a mordaça, e saiu gritando pelas ruas de Chapunaré...


Senda


Por Alexandre Mendes

Toma esta enxada!
Eu não quero!
Tome esta vassoura!
Eu não quero!
Toma esta bandeja!
Eu não quero!
Eu não quero!
Eu não QUEROOOOOOOOO!!!!!