O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Cumprindo a meta do dia - Brazyu parte 1504


BRAZYU

O PAÍS DO PASSADO

A EPOPEIA DO RETROCESSO


Brazyu é uma saga de ficção passada no fictício Reino do Brazyu. Qualquer semelhança com lugares e pessoas reais é mera coincidência. 


Parte 1504:


O CIDADÃO DE BEM

em

CUMPRINDO A META DO DIA



A Grande Empresa privatizada demitiu metade dos funcionários. Gestão de Custos. E o maior custo obviamente era o de pessoal. Sem perspectivas, os demitidos decidiram acampar em protesto na frente da sede da Grande Empresa.

Enquanto isso, o Cidadão de Bem sai do seu moderníssimo apartamento de dezoito metros quadrados para bater o sagrado ponto no Escritório.

Ao sair do apartamento já encontra um pedinte sentado no corredor. Diz não ter mais dinheiro pro aluguel, nem pra comer, já recebeu notificação de despejo, não sabe o que fazer a não ser pedir ajuda pelo prédio. O Cidadão de Bem lamenta, mas não tem como ajudar. Chega até a fila pro elevador. Durante horário de pico difícil conseguir vaga no apertado elevador que atende 50 apartamentos por andar.

Ao finalmente sair do prédio, encontra o tradicional pedinte de estimação do condomínio. Este, o Cidadão de Bem já está acostumado a ignorar todos os dias.

Leva alguns minutos pra atravessar a rua, devido ao trânsito incessante de carros. Quando um deles para pro embarque de alguém, é sua oportunidade de finalmente atravessar correndo. Entra no estacionamento particular onde deixa o seu precioso carro todos os dias, já que o prédio em que mora não tem garagem.

O Cidadão de Bem mora a 10 minutos de caminhada da estação de metrô. O prédio do Escritório fica ao lado do metrô, a apenas 4 estações dali. Mesmo assim vai de carro pro Escritório todos os dias. E sempre reclama que a gasolina está muito cara. Metade do salário mensal vai pra prestação do carro e eventuais manutenções. Mas não abre mão do carro. Afinal, o Cidadão de Bem é brazylero. E como todo brazylero, adora carro.

O Cidadão de Bem passa pela sede da Grande Empresa e vê as dezenas de pessoas acampadas, todas aquelas tendas e faixas e cartazes de protesto. Revolta-se com aquela poluição visual, não se aguenta, abaixa o vidro do seu carro do ano, prejudicando o conforto do ar condicionado e grita furioso: Vai trabalhar, bando de vagabundo!

Logo mais, trânsito completamente parado. Cidadão de Bem fica revoltado, não pode chegar atrasado ao Escritório. Mas trânsito continua imóvel. Cidadão de Bem não sabe por que o trânsito permanece totalmente parado, mas buzina sem parar.

Enquanto isso, o Novo Dytador passeava no seu Helicóptero-Caveirão quando recebe uma chamada de uatzap de um assessor:

-Milorde, um ônibus foi sequestrado na via expressa. Foi interceptado pela patrulha.

-Estou vendo daqui. O trânsito está todo parado.

-Os agentes tiveram que fechar uma pista.

-Isso é inaceitável. Tem que resolver logo.

-Os negociadores estão tentando contato com o sequestrador.

-Negociador é o caralho. Cadê o sniper?

-Está se posicionando…

-Ordena a ele pra atirar logo.

-Mas ele ainda não…

-Mas o que, porra? É pra atirar logo e abater os vagabundos! Tem que liberar o trânsito pro cidadão de bem poder ir trabalhar!

-Sim, milorde.

Assim foi feito. O ônibus foi metralhado e os sequestradores mortos, assim como alguns passageiros. O Novo Dytador considerou inevitável a morte de alguns passageiros: Não dá pra fazer omelete sem quebrar uns ovos. Já a morte dos sequestradores foi suicídio, conforme a nova legislação que aprovamos recentemente. Suicídio por policial.

Depois de horas, o Cidadão de Bem finalmente consegue chegar ao seu importante trabalho. Ao adentrar no Escritório, percebe a maioria dos colegas cochichando.

-Que foi?

-Você não viu no grupo?

-Não, não vi.

-Vê aí o grupo.

Cidadão de Bem busca desesperado o celular, pra ver ansioso o grupo no zap Colegas do Escritório. Ao desbloquear o celular: "Você poderá acessar logo após a publicidade". 5 minutos de comercial. Puta merda. Vai morrer de ansiedade. Deixa celular de lado e vai tomar uma água. Pega o aparelho de volta e a publicidade estava pausada em 4min57s. Ao olhar ela continua: 4min56s, 4min55s. Tinha esquecido dessa nova tecnologia leitora de retina dos aparelhos. O leitor de retina detecta se a pessoa está ou não olhando pra propaganda. Se não estiver, automaticamente pausa. Se quiser usar o celular, obrigatório olhar pra publicidade por todo o tempo. 4min50. 4min49. Puta merda. Melhor tomar o comprimido pra tranquilizar.

Então seu Chefe aparece e o chama. Diz que o Gerente Executivo quer falar com eles. O Cidadão de Bem sente certa euforia. Nunca participou de nenhuma reunião com o Gerente Executivo. O mês estava indo bem. Semana passada recebeu o feedback da avaliação de desempenho referente ao último ano e ficou empolgado pela ótima nota que recebeu. Fruto de seu trabalho duro. E agora uma reunião com o Gerente Executivo. Quem sabe seria designado para algum trabalho importante? Mais: quem sabe estaria sendo sondado para algum cargo gerencial? Sabe que seu dia vai chegar, seus professores na faculdade de administração sempre afirmaram categoricamente que quem se esforça é recompensado, cedo ou tarde.

Entra na opulenta sala, com patrióticos móveis de madeira de pau-brasil, cadeiras massageadoras forradas com couro de elefante encerado e tapetes de pele de panda importados. Um garçom traz água, suco, café, bolo e salgadinhos e deixa numa cômoda ao lado da grande mesa do Gerente Executivo. No outro lado da sala uma grande estante percorre toda a parede, mas nem um livro sequer repousa sobre ela. Apenas fotos dos eventos corporativos que o Gerente Executivo participou, troféus e medalhas de executivo destaque, diplomas de cursos como "Cortando Custos e Gerando Valor para os Acionistas" e "Liderando pessoas para a Vitória", e brindes e recordações das muitas viagens realizadas.

O Chefe do Cidadão de Bem cumprimenta o Gerente Executivo como se fossem amigos de infância, melhor amigo da vida. Gerente Executivo conta uma piada de trabalho e gargalha com o Chefe. Cidadão de Bem não entendeu absolutamente nada da piada, mas sorri também pra parecer simpático.

Então o Gerente Executivo cumprimenta amistoso o Cidadão de Bem e começa a discursar sobre os novos tempos que a Empresa está passando. A crise não está fácil, todos precisam se doar e se esforçar para atingir os objetivos corporativos, pois se a Empresa não conseguir resultados, muita gente pode ser prejudicada, muita gente pode perder o emprego, e blá, e blé, e blí, e bló, o discurso continua nessa toada por uma eternidade, o Cidadão de Bem se esforça bravamente para não cochilar na frente dele, meneando a cabeça para confirmar que está entendendo e soltando um aham de vez em quando.

Até que sua atenção é despertada quando o Gerente Executivo comenta sobre metas e avaliação de desempenho. "Vi que você superou, e muito, as metas do último período de avaliação. Sua nota foi 130%". O Cidadão de Bem abre um discreto e orgulhoso sorriso. "Espera mesmo que eu acredite nisso? 130% da meta estipulada? É óbvio que essa meta foi fácil demais!" O sorriso murcha. "Mas o seu caso não foi o único. A nota média da nossa Gerência Executiva foi 108. Ou seja, em média, as pessoas atingiram 108% das suas metas. Tenho estatísticas que provam que não é normal um desempenho médio tão alto. Estas notas terão que ser revistas, pois não é essa a lógica de mercado. Nos nossos concorrentes não existem avaliações de desempenho tão generosas. É um claro sinal de que nós temos que aprender a criar metas. As metas precisam ser desafiadoras. Isso vai ter que mudar."

Hesitante, o Cidadão de Bem olha pro seu Chefe, que permanece impassível. Pensa em retrucar, afinal fez um excelente trabalho na sua visão, realmente superou sua meta, a nota foi justa. Abriu mão de muita coisa para se dedicar ao trabalho, faltou a compromissos, abandonou a caminhada diária, quase não fez sexo com a esposa, quase não deu atenção aos filhos, vendeu as férias. Contudo, está diante do Gerente Executivo, chefe do seu Chefe. Não se atreve a rebater. O seu Chefe deveria dizer algo, mas se ele está aceitando, então o que pode fazer senão aceitar também? "O RH já está trabalhando em uma nova metodologia de desenvolvimento de metas e desempenho individual e logo passaremos mais informações."

O Gerente Executivo então encerra e diz que o Cidadão de Bem está dispensado, foi um prazer conhecê-lo e pode se retirar, ele e o Chefe do Cidadão de Bem tem outra reunião agora.

Cidadão de Bem sai da adornada sala e para no corredor. Apesar da porta fechada, volta a ouvir gargalhadas do seu Chefe e do Gerente Executivo. Por um momento, não sabe bem pra onde ir, o que fazer agora. Mas foi só por um momento. Tem que retornar pro seu lugar e sua importante rotina.


quarta-feira, 18 de março de 2020

Aqueles desenhos engavetados...


     Para aqueles que sabem e não sabem, já faz um tempo que estou longe das redes sociais e também não tenho produzido mais zines, mas tem bastante material engavetado e continuo desenhando quando rola inspiração para tal. Como estou ausente das mídias  de divulgação, mas tenho material acumulado, decidi criar um site pela wix (sem registro de domínio), só pelo e-mail mesmo, para postar essas folhas soltas acumulada na gaveta. Sempre que der e rolar algo viável postarei lá no site para aqueles que curtem e para os que não conhecem nada do Beat.
   
    Segue o link aí do site: pennybeat.wixsite.com/davidbeat

    P.S. tem o recurso de chat, caso queira deixar um salve.  

domingo, 16 de fevereiro de 2020

TENTEI VENDER A ALMA MAS O DIABO NÃO TINHA MUITO PRA OFERECER


Certa vez, Diabão apareceu:
-Entregue-me vossa alma, e a glória lhe concederei.
-Que tipo de glória?- questionei.
-Farei de você o Rei de toda a Terra.
Desembestei a rir.
-E pra que vou querer ser rei dessa merda?
-Bem- gaguejou Diabão- Então lhe faço Rei do Inferno.
-Vai se fuder.
-Me dê logo sua alma ou acabo com a vida de todas as pessoas que você ama.
-E quem disse que amo alguém?
-Credo. Você está me deixando deprimido. Vou partir. Adeus.
E assim terminou meu encontro com Diabão. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

JUSTISSA 4.0


Inteligência Artificial desenvolvida pelo Grande Tribunal para julgar pedidos de liberdade condicional. 
Como maior parte dos presos é negra, IA conclui que negros têm maior probabilidade de cometer crimes, conforme sua programação. Assim, concede condicional apenas para brancos. 
Diante de críticas, Autoridades afirmam que não há o que se questionar, máquinas não têm preconceitos, são racionais, exatas, confiáveis. Se calcularam que há alto risco em conceder condicional pra determinado preso, é fato. 
Destarte, está tudo certo. 
Cumpra-se. 

sábado, 1 de fevereiro de 2020

contos da Pós-Carochinha: VAI VOTAR EM QUEM? (E daqui a pouco tem eleição de novo)

Foi uma vez, se encontraram no elevador, descendo:
-E aí, vai votar em quem?
-Não sei, a Ubaldina e o Crézio ainda não confirmaram se vão se candidatar. Tão com umas boas ideias, apesar de…
-Hã? Do que tu tá falando?
-Ué, da eleição pra síndico, não tá indo pra lá?
-Síndico é o caralho. Tô falando em quem você vai votar pra Herói Nacional.
-Ah, não, aí tô fora, não voto.
-Que isso, você não pode ficar nessa alienação. Tem que participar. Exercer seu direito de cidadania. Vivemos numa democracia e você esnoba? Vai deixar de votar? Vou te dar a dica. Capitão Messias é o cara. Ele vai mudar esse país.
-É?
-Vai acabar com essa roubalheira aí. E acabar com a mamata dessa vagabundagem que não quer saber de trabalhar.
-Bem, essa eleição é só mês que vem. Enquanto isso, podemos participar da assembleia de hoje. Na pauta, vão ser discutidos pontos interessantes, como a implantação de coleta seletiva no condomínio, criação da horta comunitária e possibilidade de instalar um sistema de captação de energia solar no prédio.
-Energia solar? Fala sério. Tô falando de coisa séria. Tô indo lá na passeata dos patriotas, na Praia Grande. Vai bombar. Centenas de milhares de gente do bem. O Capitão vai tá lá, vai discursar. Vai ser histórico. Vê se vou deixar de participar desse momento pra ir em reunião de condomínio. Forgive.
-Sei. Mas você que tá sabendo de tudo me diz: quais as propostas desse cara que até agora ninguém soube me dizer? 
-Propostas? Ele é honesto porra! Vai acabar com essa corrupção que tá aí. Com essa cambada de comunista filhodaputa!
-Calma, não precisa gritar, tô só perguntando. Mas ele não é deputado há 30 anos? O que ele fez nesse tempo que o credencia a se tornar Herói Nacional? 
-Ele é honesto porra! Vai mudar isso que taí, acabar com esses comunistas!
-Tá bom já entendi. Não precisa cuspir em mim. 
-Você tem que se informar, precisa se inteirar mais das coisas. Não podemos deixar de votar. É nossa grande chance de arrumar esse país. 
-Sei. 
Assim, seguiram rumos diferentes.
Tempos depois, as iniciativas do condomínio estão paradas por falta de quorum. 
Já o Capitão Messias foi eleito, e alguns foram felizes por um tempo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

POESIA

Por: Diego El Khouri

mesmo com as garras
e com o frio da fome muda
mesmo com o abrigo
bombardeado pelos homens
malditos do passado
mesmo com o medo
instalado na instabilidade do acaso
mesmo com a mortandade
que alimenta o estômago
e as aves cancerígenas sem asas
mesmo com a solidão
amarga que amarga o doce amargo
(febril instantâneo)
dessa fome que não pára
__ tântalo baleado __
criança envolta em pano sujo
laetréamont decepado
nas galáxias de parnaso

sábado, 25 de janeiro de 2020

Pessoas em situação de escritório


Se o sujeito vivendo na rua
É apontado como inútil, vagabundo, pária social
O sujeito que passa o dia enfurnado num escritório
Esperando a hora de bater o ponto
É o que?

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

________________________________________

Por: Diego El Khouri

nem esquerda
nem direita
é tudo teatro
__ nazi fascismo :
projeto americano __
barbárie
cegueira
insensibilidade
psicologia do inconsciente
intensificação da miséria
desigualdade social
pós verdade
recusa da ciência
destruição da educação
ódio às artes
abismos da ignorância
um ponto insensato
da face monetária
criada e controlada
pelos manipuladores
do estado


( e não são
não são
não são
os chamados "políticos
estadistas do governo"...)

(...são os abutres sanguessugas que
estão acima do poder
que controlam o poder
molestam o poder

o poder
o poder
o poder...)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

BRAZYU - Parte 1500

BRAZYU
O PAÍS DO PASSADO

Parte 1500: O retrocesso nosso de cada. 

O Ditador do Brazyu decreta: a partir desta data, o país passa a se chamar Estados Unidos da América brasileira - EUAb. E sua capital passa a se chamar Trumpólis.

O Ditador dos EUAb se espreguiçava tranquilo em sua jacuzzi no Palácio Presidencial enquanto sorvia seu uísque 21 anos importado e despachava pelo twitter quando, de repente, as portas se abrem num estrondo e um grupo de indígenas invade a sala do trono. "O que é isso? Milicianos, socorro!", clamava o Rei.  "O progresso chegou", esclarecia o cacique, "viemos realizar o desejo de vocês, homens brancos, de ir viver na selva, vamos levá-lo." "O que? Não, não quero." "Quer sim, sabemos que quer, talvez você mesmo não saiba, mas tenho contato com vários brancos da cidade que me contaram que sonham em morar na selva, longe de empregos e celulares, em harmonia com a natureza, assim chegamos à conclusão que todos querem sair da cidade e viver na selva, é o desenvolvimento, podem levar". "Não, não", chorava inutilmente o Ditador. Em pouco tempo estava numa balsa até chegar em uma aldeia isolada. Lá foi despido e banhado, quando recomeçou a chorar alto, pois achava que toda a aldeia iria rir e zombar do seu micropênis. Foi levado para uma grande oca, com uma rede para que descansasse o tempo que quisesse, com água de coco e frutas ao seu dispor. "Essa rede não é massageadora", começava a colapsar o Ditador, "onde está meu uísque, onde está meu celular? Meu twitter? Meus seguidores? MEUS SEGUIDORES!!! NAAAAOOO!!"

O Ditador dos EUAb acordou em sua cama king size sob seus cobertores trançados em fios de ouro. Ufa. Foi só um pesadelo. Malditos índios vagabundos comunistas satanistas anti-pátria. Preciso acelerar o extermínio de todas as florestas. 
Convocou a imprensa. As reservas indígenas ocupam 15% do território desse país. É um absurdo. Enquanto minha família tem propriedade de apenas 3% . Tem que mudar isso aí. 

(Continuará...) (até quando...)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

++++++++++++++++++++++

Por: Edu Planchêz  


diego el khouri me disse
que não coagula di boa cum u puema objet de jcabral
& sim cum o versu de perder o folego o + cativa
tal o de allen ginsberg
q o fred autor de folhas e ervas
me indicou para ser um modelo
a ser por mim copiado,
assim o faço,
kzé e gaét


quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Robotizados 2

Robotizados 2
Por Fabio da Silva Barbosa

Querem te purificar
para  intoxicar

Falam em libertar
para escravizar

Querem organizar
para te desorganizar

Querem limpar
para viciar

Falam em esclarecer
para te cegar

Querem prosseguir
te fazendo parar

Falam em paz
para guerrear

Querem a vida
para te matar

Falam em inteligência
sem deixar pensar

Querem o controle
para robotizar

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Robotizados

Robotizados
Por Fabio da Silva Barbosa

te querem conformado
te querem  limitado
para ser manipulado

impõe a rotina
deformam a retina
para não conseguir ver

deturpam o raciocínio
transformam homens em máquinas
programadas para competir

moldam uma peça
outra engrenagem
para a máquina de moer

te querem adestrado
te querem alienado
para ser controlado

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Sangue e areia

Sangue e areia

Por Fabio da Silva Barbosa

O planeta estava em desequilíbrio. Entre as muitas espécies que povoavam o lugar, uma começou a se proliferar de forma descontrolada e impôs um ritmo de vida completamente diferente da natureza que a cercava. O ritmo de vida logo virou ritmo de morte. Os danos estavam crescendo de forma irreparável. Efeitos colaterais surgiam em toda parte. Primeiro vieram as grandes enchentes e logo depois os mares começaram a secar, dando lugar a imensos desertos. Não haviam mais oceanos, rios, praias... e toda forma de vida começou a desaparecer. A humanidade, responsável por tal colapso, se resumiu a um número mínimo antes de desaparecer por completo. 
Um ambiente hostil se formou. As cidades, sem água ou luz, iam aos poucos sendo soterradas pela areia. Alguns grupos resistiram estruturando pequenas comunidades. Estas eram constantemente atacadas por saqueadores que perambulavam pelo deserto em busca de presas fáceis. Alguns homens e mulheres vagavam sozinhos por este cenário apocalíptico. Entre esses estava Rinira.
Ainda pequena, fazia parte de uma comunidade que estava conseguindo se fortalecer, apesar de todas as dificuldades. Após um grande ataque de saqueadores, viu seu povo ser massacrado. Rinira foi vendida como escrava junto a outros sobreviventes. Ainda adolescente, depois de ser violentada de todas as formas possíveis, matou seu senhor e conseguiu fugir. 
Encontrou um grupo de mulheres guerreiras. Foi adotada por elas e sentiu ter novamente uma família. Aprimorou-se na arte da guerra e fez parte do grupo em diversas batalhas, até que foram diminuindo numericamente e se espalhando pelo planeta desolado. 
Encontramos Rinira chegando a uma pequena aldeia durante a madrugada. Deixou o cavalo um pouco antes para entrar sem ser vista. Esgueirando seu corpo magro e coberto por cicatrizes, avançava nas ruas estreitas formadas pelos barracos e cabanas. 
Ouviu vozes cortando a noite. Era um pequeno bar. Contou as poucas pedras que tinha. Escolheu a de menor valor. Aquele lugar miserável não era capaz de oferecer nada que preste para roubar. Pelo menos mataria a sede e a fome. 
Entrou estudando cada canto do estabelecimento. Seis homens. Dois jogavam cartas em uma das duas mesas. A outra estava ocupada por um que dormia pesadamente entre roncos que pareciam rosnados de uma criatura bestial. Dois estavam no balcão e pararam de falar quando ela entrou. O sexto era o dono do lugar e estava atrás do balcão. Todos fixaram seus olhos nela, acompanhando seus passos até o balcão. 
- Tenho fome e sede.
O dono a mediu de cima a baixo ao escutar suas palavras e devolveu com uma pergunta.
- E como pretende pagar? 
Rinira abriu a mão apresentando a pequena pedra. O homem pegou a pedra e olhou em direção da luz que emanava do pavio que estava ilhado no meio do monte de cera.
-É autêntica.
- E como vou saber?
- Você é comerciante. Devia conhecer. – Olhou em volta e pegou a pedra de volta com um rápido movimento. O braço parecia uma cobra dando um bote. – Se não quer, irei procurar outro lugar...
- Mas olha como ela é braba. – Disse um dos dois homens que bebiam encostados no balcão se ponto de frente para ela. – Não irá encontrar outro lugar pelo menos por alguns dias marchando debaixo de sol forte. – Olhou bem para os olhos da guerreira e sorriu, deixando a mostra a gengiva de onde pendiam os últimos dentes podres. -  Existem outras formas de pagar, não é mesmo, Urro. – Falou virando para o homem de trás do balcão.
- Se eu fosse você me deixaria ir.  
- Quem sabe depois de... 
Quando tentou passar a mão por trás do quadril de Rinira para segurar a bunda da guerreira, esta sacou a espada e no mesmo movimento arrancou a mão do homem. O outro que estava bebendo no balcão tentou se mover, mas foi logo golpeado e perdeu a orelha. 
Rinira rodou lentamente olhando para todos. Mandou que se agrupassem em um canto e pegou uma garrafa. Deu um gole. Aprovou o gosto amargo da bebida. 
- E agora, o que faço com vocês?
Urro mostrou as mãos e deu um passo na direção da mulher. 
- Tenha calma. Pode pegar o que quiser. Não iremos fazer nada. Pode nos deixar em paz.
Rinira se aproximou deles. 
- Poderia fazer isso, mas agora é tarde demais. Sair daqui e deixar vocês vivos é logo estarem atrás de mim. Não conseguirei passar de algumas casas. Acho melhor acabar com isso agora.
A espada cortava o ar enquanto as cabeças rolavam pelo chão. 
Sem muita demora, saiu olhando as ruas que continuavam tão vazias e silenciosas como quando chegou. Foi carregando o que conseguia levar. Encontrou seu cavalo onde tinha deixado, montou e continuou a cavalgada pelo deserto. 
Alguns dias depois o animal morrera de sede e cansaço. Acampou e aproveitou o máximo da carne antes de continuar a pé até roubar outra montaria. 

domingo, 29 de dezembro de 2019

Sem querer cair no Vazio

Sem querer cair no Vazio.
Mas o que é o vazio além do cheio de nada?
Por Fabio da Silva Barbosa

Os contrários, muitas vezes, vivem juntos, unidos. Antíteses se enroscando em verdadeiros relacionamentos sexuais. Certas coisas são básicas e podem quase ser chamadas de verdades – mesmo a verdade e a mentira estando, muitas vezes, tão próximas, como quase todas as oposições. 
Nossa condição no mundo, por exemplo:  Ao mesmo tempo em que estamos juntos, sendo parte de um todo, estamos separados. Chegamos ao mundo sozinhos e vamos do mesmo jeito. Mesmo se tivermos irmãos gêmeos, nascemos um de cada vez. O momento do nascimento será único para cada um. Mesmo se morrermos em um grande acidente com várias pessoas, a morte será diferente para cada um. Mesmo se morarmos com outras pessoas, a solidão faz parte e é necessária, assim como os demais seres viventes que nos cercam. Tudo é preciso. Estar só e acompanhado. Tudo tem seu momento.
    Poderíamos também falar sobre o amor que vira ódio e o prazer que vira tortura ou se torna indiferente. O filantropo que assassinou. O bom homem que se envolveu em crimes hediondos ou em atitudes inescrupulosas. Será que ele sempre foi um bom homem ou apenas usava máscaras? Será que estava tudo ali dentro ao mesmo tempo? Quem sabe sobre seus conflitos internos? Tudo habita em nós. A tristeza, a melancolia, a ternura... Será? No momento acredito que sim. 
O louco e o são: Quem determina quem é quem? Os remédios são para curar ou para fazer com que nos comportemos e pensemos iguais? Podem existir ambos os casos. Afinal, um médico moralista está tão habilitado para avaliar a saúde mental quanto um fanático religioso. Por mais que ele tenha estudado, lido, as informações são ferramentas que podem ser utilizadas de acordo com suas convicções, verdades/mentiras, com sua cultura.  
Uma pessoa que se enquadra em uma sociedade como a nossa (egoísta, competitiva, hipócrita...) pode ser considerada saudável? E uma que não se enquadra pode ser considerada doente? Uma pessoa crente que o homem foi feito do barro e a mulher de sua costela pode ser considerada lúcida enquanto a outra que não acredita em histórias fantásticas e folclóricas como esta deve ser considerada...? 
Quem atinge o nível da iluminação, chegando ao nirvana, está mesmo tão distante dos que nada sabem, ou apenas entendeu que é um deles? Só sei que nada sei, mesmo assim estou melhor que os outros, pois pelo menos disso eu sei. É possível estar melhor, ou apenas estão em situações/estados diferentes? Como se mede esse tal de melhor ou pior? Quem conhece de verdade e quem desconhece? Quem sabe? E indo mais longe: Quem determina quem sabe? O conhecimento virou um status, a formação de uma elite? Estamos novamente diante de um contraste?     
E estas supostas contradições: Seriam naturais, frutos do ser humano e suas peculiaridades? Resultado do adestramento que recebemos desde a infância e que não condiz com a realidade, com a natureza? Não é tão inviável este questionamento, já que o próprio conceito de realidade se torna duvidoso em nossa sociedade. O que é a realidade? Estudar, trabalhar, casar, ter filhos , envelhecer em frente a tv, se entupir de transgênicos, pagar plano de saúde, adoecer e morrer? Não me parece razoável. 
     

sábado, 28 de dezembro de 2019

Sensitivo

Sensitivo
Por Fabio da Silva Barbosa

vidas simples 
passando despercebidas
esmagadas pelo cotidiano
totalmente invisíveis

agindo como máquinas
em uma terrível zona de conforto
todos bem ajustados
bando de acomodados

tudo que tenho é um nome
que rabisco pelos muros sem cor
rasgando o silêncio
com o barulho que for

o normal me entedia
a rotina me cansa
só resta caçar 
algum prazer bizarro para relaxar

o estranho geralmente satisfaz
sem se preocupar com o horário
agora é tarde
tanto faz

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Simplesmente assim

Simplesmente assim

Por Fabio da Silva Barbosa

Então é isso
Tá tudo uma merda
Vão se foder.