O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.

quarta-feira, 18 de março de 2020

Aqueles desenhos engavetados...


     Para aqueles que sabem e não sabem, já faz um tempo que estou longe das redes sociais e também não tenho produzido mais zines, mas tem bastante material engavetado e continuo desenhando quando rola inspiração para tal. Como estou ausente das mídias  de divulgação, mas tenho material acumulado, decidi criar um site pela wix (sem registro de domínio), só pelo e-mail mesmo, para postar essas folhas soltas acumulada na gaveta. Sempre que der e rolar algo viável postarei lá no site para aqueles que curtem e para os que não conhecem nada do Beat.
   
    Segue o link aí do site: pennybeat.wixsite.com/davidbeat

    P.S. tem o recurso de chat, caso queira deixar um salve.  

domingo, 16 de fevereiro de 2020

TENTEI VENDER A ALMA MAS O DIABO NÃO TINHA MUITO PRA OFERECER


Certa vez, Diabão apareceu:
-Entregue-me vossa alma, e a glória lhe concederei.
-Que tipo de glória?- questionei.
-Farei de você o Rei de toda a Terra.
Desembestei a rir.
-E pra que vou querer ser rei dessa merda?
-Bem- gaguejou Diabão- Então lhe faço Rei do Inferno.
-Vai se fuder.
-Me dê logo sua alma ou acabo com a vida de todas as pessoas que você ama.
-E quem disse que amo alguém?
-Credo. Você está me deixando deprimido. Vou partir. Adeus.
E assim terminou meu encontro com Diabão. 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

JUSTISSA 4.0


Inteligência Artificial desenvolvida pelo Grande Tribunal para julgar pedidos de liberdade condicional. 
Como maior parte dos presos é negra, IA conclui que negros têm maior probabilidade de cometer crimes, conforme sua programação. Assim, concede condicional apenas para brancos. 
Diante de críticas, Autoridades afirmam que não há o que se questionar, máquinas não têm preconceitos, são racionais, exatas, confiáveis. Se calcularam que há alto risco em conceder condicional pra determinado preso, é fato. 
Destarte, está tudo certo. 
Cumpra-se. 

sábado, 1 de fevereiro de 2020

contos da Pós-Carochinha: VAI VOTAR EM QUEM? (E daqui a pouco tem eleição de novo)

Foi uma vez, se encontraram no elevador, descendo:
-E aí, vai votar em quem?
-Não sei, a Ubaldina e o Crézio ainda não confirmaram se vão se candidatar. Tão com umas boas ideias, apesar de…
-Hã? Do que tu tá falando?
-Ué, da eleição pra síndico, não tá indo pra lá?
-Síndico é o caralho. Tô falando em quem você vai votar pra Herói Nacional.
-Ah, não, aí tô fora, não voto.
-Que isso, você não pode ficar nessa alienação. Tem que participar. Exercer seu direito de cidadania. Vivemos numa democracia e você esnoba? Vai deixar de votar? Vou te dar a dica. Capitão Messias é o cara. Ele vai mudar esse país.
-É?
-Vai acabar com essa roubalheira aí. E acabar com a mamata dessa vagabundagem que não quer saber de trabalhar.
-Bem, essa eleição é só mês que vem. Enquanto isso, podemos participar da assembleia de hoje. Na pauta, vão ser discutidos pontos interessantes, como a implantação de coleta seletiva no condomínio, criação da horta comunitária e possibilidade de instalar um sistema de captação de energia solar no prédio.
-Energia solar? Fala sério. Tô falando de coisa séria. Tô indo lá na passeata dos patriotas, na Praia Grande. Vai bombar. Centenas de milhares de gente do bem. O Capitão vai tá lá, vai discursar. Vai ser histórico. Vê se vou deixar de participar desse momento pra ir em reunião de condomínio. Forgive.
-Sei. Mas você que tá sabendo de tudo me diz: quais as propostas desse cara que até agora ninguém soube me dizer? 
-Propostas? Ele é honesto porra! Vai acabar com essa corrupção que tá aí. Com essa cambada de comunista filhodaputa!
-Calma, não precisa gritar, tô só perguntando. Mas ele não é deputado há 30 anos? O que ele fez nesse tempo que o credencia a se tornar Herói Nacional? 
-Ele é honesto porra! Vai mudar isso que taí, acabar com esses comunistas!
-Tá bom já entendi. Não precisa cuspir em mim. 
-Você tem que se informar, precisa se inteirar mais das coisas. Não podemos deixar de votar. É nossa grande chance de arrumar esse país. 
-Sei. 
Assim, seguiram rumos diferentes.
Tempos depois, as iniciativas do condomínio estão paradas por falta de quorum. 
Já o Capitão Messias foi eleito, e alguns foram felizes por um tempo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

POESIA

Por: Diego El Khouri

mesmo com as garras
e com o frio da fome muda
mesmo com o abrigo
bombardeado pelos homens
malditos do passado
mesmo com o medo
instalado na instabilidade do acaso
mesmo com a mortandade
que alimenta o estômago
e as aves cancerígenas sem asas
mesmo com a solidão
amarga que amarga o doce amargo
(febril instantâneo)
dessa fome que não pára
__ tântalo baleado __
criança envolta em pano sujo
laetréamont decepado
nas galáxias de parnaso

sábado, 25 de janeiro de 2020

Pessoas em situação de escritório


Se o sujeito vivendo na rua
É apontado como inútil, vagabundo, pária social
O sujeito que passa o dia enfurnado num escritório
Esperando a hora de bater o ponto
É o que?

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

________________________________________

Por: Diego El Khouri

nem esquerda
nem direita
é tudo teatro
__ nazi fascismo :
projeto americano __
barbárie
cegueira
insensibilidade
psicologia do inconsciente
intensificação da miséria
desigualdade social
pós verdade
recusa da ciência
destruição da educação
ódio às artes
abismos da ignorância
um ponto insensato
da face monetária
criada e controlada
pelos manipuladores
do estado


( e não são
não são
não são
os chamados "políticos
estadistas do governo"...)

(...são os abutres sanguessugas que
estão acima do poder
que controlam o poder
molestam o poder

o poder
o poder
o poder...)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

BRAZYU - Parte 1500

BRAZYU
O PAÍS DO PASSADO

Parte 1500: O retrocesso nosso de cada. 

O Ditador do Brazyu decreta: a partir desta data, o país passa a se chamar Estados Unidos da América brasileira - EUAb. E sua capital passa a se chamar Trumpólis.

O Ditador dos EUAb se espreguiçava tranquilo em sua jacuzzi no Palácio Presidencial enquanto sorvia seu uísque 21 anos importado e despachava pelo twitter quando, de repente, as portas se abrem num estrondo e um grupo de indígenas invade a sala do trono. "O que é isso? Milicianos, socorro!", clamava o Rei.  "O progresso chegou", esclarecia o cacique, "viemos realizar o desejo de vocês, homens brancos, de ir viver na selva, vamos levá-lo." "O que? Não, não quero." "Quer sim, sabemos que quer, talvez você mesmo não saiba, mas tenho contato com vários brancos da cidade que me contaram que sonham em morar na selva, longe de empregos e celulares, em harmonia com a natureza, assim chegamos à conclusão que todos querem sair da cidade e viver na selva, é o desenvolvimento, podem levar". "Não, não", chorava inutilmente o Ditador. Em pouco tempo estava numa balsa até chegar em uma aldeia isolada. Lá foi despido e banhado, quando recomeçou a chorar alto, pois achava que toda a aldeia iria rir e zombar do seu micropênis. Foi levado para uma grande oca, com uma rede para que descansasse o tempo que quisesse, com água de coco e frutas ao seu dispor. "Essa rede não é massageadora", começava a colapsar o Ditador, "onde está meu uísque, onde está meu celular? Meu twitter? Meus seguidores? MEUS SEGUIDORES!!! NAAAAOOO!!"

O Ditador dos EUAb acordou em sua cama king size sob seus cobertores trançados em fios de ouro. Ufa. Foi só um pesadelo. Malditos índios vagabundos comunistas satanistas anti-pátria. Preciso acelerar o extermínio de todas as florestas. 
Convocou a imprensa. As reservas indígenas ocupam 15% do território desse país. É um absurdo. Enquanto minha família tem propriedade de apenas 3% . Tem que mudar isso aí. 

(Continuará...) (até quando...)

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

++++++++++++++++++++++

Por: Edu Planchêz  


diego el khouri me disse
que não coagula di boa cum u puema objet de jcabral
& sim cum o versu de perder o folego o + cativa
tal o de allen ginsberg
q o fred autor de folhas e ervas
me indicou para ser um modelo
a ser por mim copiado,
assim o faço,
kzé e gaét


quarta-feira, 1 de janeiro de 2020

Robotizados 2

Robotizados 2
Por Fabio da Silva Barbosa

Querem te purificar
para  intoxicar

Falam em libertar
para escravizar

Querem organizar
para te desorganizar

Querem limpar
para viciar

Falam em esclarecer
para te cegar

Querem prosseguir
te fazendo parar

Falam em paz
para guerrear

Querem a vida
para te matar

Falam em inteligência
sem deixar pensar

Querem o controle
para robotizar

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Robotizados

Robotizados
Por Fabio da Silva Barbosa

te querem conformado
te querem  limitado
para ser manipulado

impõe a rotina
deformam a retina
para não conseguir ver

deturpam o raciocínio
transformam homens em máquinas
programadas para competir

moldam uma peça
outra engrenagem
para a máquina de moer

te querem adestrado
te querem alienado
para ser controlado

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Sangue e areia

Sangue e areia

Por Fabio da Silva Barbosa

O planeta estava em desequilíbrio. Entre as muitas espécies que povoavam o lugar, uma começou a se proliferar de forma descontrolada e impôs um ritmo de vida completamente diferente da natureza que a cercava. O ritmo de vida logo virou ritmo de morte. Os danos estavam crescendo de forma irreparável. Efeitos colaterais surgiam em toda parte. Primeiro vieram as grandes enchentes e logo depois os mares começaram a secar, dando lugar a imensos desertos. Não haviam mais oceanos, rios, praias... e toda forma de vida começou a desaparecer. A humanidade, responsável por tal colapso, se resumiu a um número mínimo antes de desaparecer por completo. 
Um ambiente hostil se formou. As cidades, sem água ou luz, iam aos poucos sendo soterradas pela areia. Alguns grupos resistiram estruturando pequenas comunidades. Estas eram constantemente atacadas por saqueadores que perambulavam pelo deserto em busca de presas fáceis. Alguns homens e mulheres vagavam sozinhos por este cenário apocalíptico. Entre esses estava Rinira.
Ainda pequena, fazia parte de uma comunidade que estava conseguindo se fortalecer, apesar de todas as dificuldades. Após um grande ataque de saqueadores, viu seu povo ser massacrado. Rinira foi vendida como escrava junto a outros sobreviventes. Ainda adolescente, depois de ser violentada de todas as formas possíveis, matou seu senhor e conseguiu fugir. 
Encontrou um grupo de mulheres guerreiras. Foi adotada por elas e sentiu ter novamente uma família. Aprimorou-se na arte da guerra e fez parte do grupo em diversas batalhas, até que foram diminuindo numericamente e se espalhando pelo planeta desolado. 
Encontramos Rinira chegando a uma pequena aldeia durante a madrugada. Deixou o cavalo um pouco antes para entrar sem ser vista. Esgueirando seu corpo magro e coberto por cicatrizes, avançava nas ruas estreitas formadas pelos barracos e cabanas. 
Ouviu vozes cortando a noite. Era um pequeno bar. Contou as poucas pedras que tinha. Escolheu a de menor valor. Aquele lugar miserável não era capaz de oferecer nada que preste para roubar. Pelo menos mataria a sede e a fome. 
Entrou estudando cada canto do estabelecimento. Seis homens. Dois jogavam cartas em uma das duas mesas. A outra estava ocupada por um que dormia pesadamente entre roncos que pareciam rosnados de uma criatura bestial. Dois estavam no balcão e pararam de falar quando ela entrou. O sexto era o dono do lugar e estava atrás do balcão. Todos fixaram seus olhos nela, acompanhando seus passos até o balcão. 
- Tenho fome e sede.
O dono a mediu de cima a baixo ao escutar suas palavras e devolveu com uma pergunta.
- E como pretende pagar? 
Rinira abriu a mão apresentando a pequena pedra. O homem pegou a pedra e olhou em direção da luz que emanava do pavio que estava ilhado no meio do monte de cera.
-É autêntica.
- E como vou saber?
- Você é comerciante. Devia conhecer. – Olhou em volta e pegou a pedra de volta com um rápido movimento. O braço parecia uma cobra dando um bote. – Se não quer, irei procurar outro lugar...
- Mas olha como ela é braba. – Disse um dos dois homens que bebiam encostados no balcão se ponto de frente para ela. – Não irá encontrar outro lugar pelo menos por alguns dias marchando debaixo de sol forte. – Olhou bem para os olhos da guerreira e sorriu, deixando a mostra a gengiva de onde pendiam os últimos dentes podres. -  Existem outras formas de pagar, não é mesmo, Urro. – Falou virando para o homem de trás do balcão.
- Se eu fosse você me deixaria ir.  
- Quem sabe depois de... 
Quando tentou passar a mão por trás do quadril de Rinira para segurar a bunda da guerreira, esta sacou a espada e no mesmo movimento arrancou a mão do homem. O outro que estava bebendo no balcão tentou se mover, mas foi logo golpeado e perdeu a orelha. 
Rinira rodou lentamente olhando para todos. Mandou que se agrupassem em um canto e pegou uma garrafa. Deu um gole. Aprovou o gosto amargo da bebida. 
- E agora, o que faço com vocês?
Urro mostrou as mãos e deu um passo na direção da mulher. 
- Tenha calma. Pode pegar o que quiser. Não iremos fazer nada. Pode nos deixar em paz.
Rinira se aproximou deles. 
- Poderia fazer isso, mas agora é tarde demais. Sair daqui e deixar vocês vivos é logo estarem atrás de mim. Não conseguirei passar de algumas casas. Acho melhor acabar com isso agora.
A espada cortava o ar enquanto as cabeças rolavam pelo chão. 
Sem muita demora, saiu olhando as ruas que continuavam tão vazias e silenciosas como quando chegou. Foi carregando o que conseguia levar. Encontrou seu cavalo onde tinha deixado, montou e continuou a cavalgada pelo deserto. 
Alguns dias depois o animal morrera de sede e cansaço. Acampou e aproveitou o máximo da carne antes de continuar a pé até roubar outra montaria. 

domingo, 29 de dezembro de 2019

Sem querer cair no Vazio

Sem querer cair no Vazio.
Mas o que é o vazio além do cheio de nada?
Por Fabio da Silva Barbosa

Os contrários, muitas vezes, vivem juntos, unidos. Antíteses se enroscando em verdadeiros relacionamentos sexuais. Certas coisas são básicas e podem quase ser chamadas de verdades – mesmo a verdade e a mentira estando, muitas vezes, tão próximas, como quase todas as oposições. 
Nossa condição no mundo, por exemplo:  Ao mesmo tempo em que estamos juntos, sendo parte de um todo, estamos separados. Chegamos ao mundo sozinhos e vamos do mesmo jeito. Mesmo se tivermos irmãos gêmeos, nascemos um de cada vez. O momento do nascimento será único para cada um. Mesmo se morrermos em um grande acidente com várias pessoas, a morte será diferente para cada um. Mesmo se morarmos com outras pessoas, a solidão faz parte e é necessária, assim como os demais seres viventes que nos cercam. Tudo é preciso. Estar só e acompanhado. Tudo tem seu momento.
    Poderíamos também falar sobre o amor que vira ódio e o prazer que vira tortura ou se torna indiferente. O filantropo que assassinou. O bom homem que se envolveu em crimes hediondos ou em atitudes inescrupulosas. Será que ele sempre foi um bom homem ou apenas usava máscaras? Será que estava tudo ali dentro ao mesmo tempo? Quem sabe sobre seus conflitos internos? Tudo habita em nós. A tristeza, a melancolia, a ternura... Será? No momento acredito que sim. 
O louco e o são: Quem determina quem é quem? Os remédios são para curar ou para fazer com que nos comportemos e pensemos iguais? Podem existir ambos os casos. Afinal, um médico moralista está tão habilitado para avaliar a saúde mental quanto um fanático religioso. Por mais que ele tenha estudado, lido, as informações são ferramentas que podem ser utilizadas de acordo com suas convicções, verdades/mentiras, com sua cultura.  
Uma pessoa que se enquadra em uma sociedade como a nossa (egoísta, competitiva, hipócrita...) pode ser considerada saudável? E uma que não se enquadra pode ser considerada doente? Uma pessoa crente que o homem foi feito do barro e a mulher de sua costela pode ser considerada lúcida enquanto a outra que não acredita em histórias fantásticas e folclóricas como esta deve ser considerada...? 
Quem atinge o nível da iluminação, chegando ao nirvana, está mesmo tão distante dos que nada sabem, ou apenas entendeu que é um deles? Só sei que nada sei, mesmo assim estou melhor que os outros, pois pelo menos disso eu sei. É possível estar melhor, ou apenas estão em situações/estados diferentes? Como se mede esse tal de melhor ou pior? Quem conhece de verdade e quem desconhece? Quem sabe? E indo mais longe: Quem determina quem sabe? O conhecimento virou um status, a formação de uma elite? Estamos novamente diante de um contraste?     
E estas supostas contradições: Seriam naturais, frutos do ser humano e suas peculiaridades? Resultado do adestramento que recebemos desde a infância e que não condiz com a realidade, com a natureza? Não é tão inviável este questionamento, já que o próprio conceito de realidade se torna duvidoso em nossa sociedade. O que é a realidade? Estudar, trabalhar, casar, ter filhos , envelhecer em frente a tv, se entupir de transgênicos, pagar plano de saúde, adoecer e morrer? Não me parece razoável. 
     

sábado, 28 de dezembro de 2019

Sensitivo

Sensitivo
Por Fabio da Silva Barbosa

vidas simples 
passando despercebidas
esmagadas pelo cotidiano
totalmente invisíveis

agindo como máquinas
em uma terrível zona de conforto
todos bem ajustados
bando de acomodados

tudo que tenho é um nome
que rabisco pelos muros sem cor
rasgando o silêncio
com o barulho que for

o normal me entedia
a rotina me cansa
só resta caçar 
algum prazer bizarro para relaxar

o estranho geralmente satisfaz
sem se preocupar com o horário
agora é tarde
tanto faz

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Simplesmente assim

Simplesmente assim

Por Fabio da Silva Barbosa

Então é isso
Tá tudo uma merda
Vão se foder.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Sistema Castigo/Repressão

Sistema Castigo/Repressão
Por Fabio da Silva Barbosa

De cara pra parede
Se você questiona

De cara pra parede
Se você não aceita

De cara pra parede
Se você não acredita

De cara pra parede
Se você é esquisita

De cara pra parede
Se não está contente

De cara pra parede
Se não tem patente

De cara pra parede
Se não é bonzinho

De cara pra parede
Se prefere o pecado e o vinho

De cara pra parede
Se insiste em pensar

De cara pra parede
Se não quiser casar

De cara pra parede
Se está de madrugada

De cara pra parede
Se não compete pela vaga

De cara pra parede
Se você não consome

De cara pra parede
Se você tem fome

De cara pra parede

De cara pra parede

De cara pra parede

As garras te pegam pelas costas

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Sobre isso tudo e mais um pouco

Sobre isso tudo e mais um pouco 
Fabio da Silva Barbosa

pensando em ir pra frente
retrocedia

achando libertar
novos muros subia

de tanto organizar
não agia

racionalizava tanto
diante da tela fria

tanta falação
que apatia

novas nomenclaturas 
velhas manias

falta tesão
sobra melancolia

um pólo e outro
se alimenta

tão diferentes
que dão na mesma

mais um partido
só engana

se apegando a nova verdade
se tapeava

tudo virando certeza
estagnada

ninguém vira a mesa
mas que manada

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Sofistas, Dialéticas, Retóricas e Idiossincrasias

Sofistas, Dialéticas, Retóricas e Idiossincrasias
Por Fabio da Silva Barbosa

Sempre rolam aquelas coisas estranhas a nossa volta e a gente fica assim... viajando... pensando se quilo aconteceu mesmo ou é fruto de nossa imaginação. Fatos que por alguma razão nos causam estranheza ou de alguma forma nos chamam a atenção. Conversas pitorescas, diálogos que pegamos de passada e nos colhem de surpresa. Tudo muito gracioso e fugaz.

.........................

Ele se aproximou, coçou a barba suja e lançou:
- Me arruma um troco.?
O outro respondeu sem jeito:
- Não tenho.
- Tudo bem.
Quando ele se afastou ainda coçando a barba, o outro disse:
- Boa Sorte.
Ele olhou de volta murmurando:
- Não acredito nisso.

.........................

O pai sacode o filho:
- Vamos lá, rapaz, acorda. Tá na hora de trabalhar.
O filho tira a cabeça debaixo do cobertor e solta o lamento
- Não consigo.

.........................

- Eu acho!
- Eu não!
- Mas você está errado!!
- Posso discordar?

.........................

- Sonhei com você outra noite.
- E como foi o sonho?
- É que na verdade sempre penso em você.
- É mesmo? Pensa? 
- É que na verdade... Deixa pra lá...
- Vai... Diz...
- Não... Deixa...
- Começou, tem de acabar.
- Quer mesmo saber???
- Claro... Ué....
- É que já toquei várias punhetas pensando em você. 
- ...

.........................

- Vou parar de beber e fumar
- Por que vai fazer uma merda dessas? 

.........................

- É isso! Tô dizendo!
- Vou ficar numa saudável dúvida.

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- Você não pode continuar assim... Tem de dar um jeito nisso.... Tá parecendo mais velha que eu.
- Não tem mais jeito. 
- Mas assim você vai morrer...
- Todo mundo vai.
- Eu sei... O que tô dizendo é que, desse jeito, talvez seja a última vez que esteja te vendo com vida. Você está destruída, tá doente, tá morrendo.
- Eu sei... Mas não tem saída. Vai ser assim.
- Então tá bem. Pelo menos me dá um abraço, pois este pode ser o último abraço que consiga lhe dar em vida.
Os dois se abraçaram na chuva.

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