O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

Te olham como... Te olham?


Te olham como... Te olham?
Por Fabio da Silva Barbosa

Pegaram o jovem
Vestiram a farda e ensinaram o hino
Estava pronto para matar
Estava pronto para morrer

Pegaram o garoto
Propagandas e lavagem cerebral
Visão e discurso superficial
Estão formando mais um adulto boçal

Pregaram a menina
Bem no alto daquela cruz
É até difícil crer
Quem dirá entender

Agora o homem é julgado
Pelos senhores da moral
Usando leis retrógradas
Protegendo o banal

Chegou a vez da mulher
Condenada ao nascer
Com dificuldade conseguiu crescer
Para o sacrifício de viver 

domingo, 22 de dezembro de 2019

Revolucionando me

Por wagner nyhyhwh

Após uma sangrenta revolucão
Enfim
Livre
Libertei me de mim
Tudo passou a ser tão fascinante
Pude me dedicar ao antigo sonho
Escalar paredes
Mas quando comecei 
O susto
Não havia parede
Então caí pra frente
O chão me abraçou
Tão gostoso
Que decidi ali ficar
Comecei a rastejar e me esfregar no solo
Pensei então
Em rastejar até dar a volta ao mundo e retornar ao ponto de origem
Entraria pro guiness
Iniciei a jornada
Então percebi
Antes de dar a primeira rastejada
Que já havia concluído a missão
Já estava de volta à origem
Me senti
sábio forte experiente
Absorvera o conhecimento de tantas nações
Agora sim estava pronto
Pra me implodir
E me bigbangear
Eu em expansão
Renascendo a cada dia

domingo, 15 de dezembro de 2019

Correntes a tilintar


Por Fabio da Silva Barbosa

Nasci naquele morro
Onde os barulhos de tiros são canções de ninar
O terror algo corriqueiro
Estamos entre os de lá e os de cá

Não tínhamos água ou luz
O esgoto corria solto
Insetos e ratos já não assustavam
Nossas pernas feridas corriam pelo campinho

Fomos crescendo e dando um jeito
Puxamos fios e canos
Já não precisávamos dos galões ou temíamos a noite
Os barracos cresciam ao redor

Nascemos na contravenção
Da informalidade veio nosso pão
Mas os de lá não podiam permitir nossa sobrevivência
Tinham uniformes para nos matar

Já era um homem muito velho
Que aprendeu a resistir naquele lugar
Quando vieram as máquinas oficiais
Dizendo que nossos barracos iam derrubar

Olhei pros meus filhos revoltados
Meus netos muito assustados
Os olhos enchendo d’água
Estava apanhando de um soldado

A nunca borboleta


Por Fabio da Silva Barbosa

Ela estava dormindo sentada
Encostada  no muro
As pernas torcidas
As mãos negras
O cachimbo na mão
O corpo desmanchando
A bela lagarta
Apodrecendo em seu casulo

ela estava dormindo sentada
encostada  no muro
as pernas torcidas
as mãos negras
o cachimbo na mão
o corpo desmanchando
a bela lagarta
apodrecendo em seu casulo

ela estava dormindo sentada
encostada  no muro
as pernas torcidas
as mãos negras
o cachimbo na mão
o corpo desmanchando
a bela lagarta
apodrecendo em seu casulo

ela estava dormindo sentada
encostada  no muro
as pernas torcidas
as mãos negras
o cachimbo na mão
o corpo desmanchando
a bela lagarta
apodrecendo em seu casulo

ela estava dormindo sentada
encostada  no muro
as pernas torcidas
as mãos negras
o cachimbo na mão
o corpo desmanchando
a bela lagarta
apodrecendo em seu casulo

ela estava dormindo sentada
encostada  no muro
as pernas torcidas
as mãos negras
o cachimbo na mão
o corpo desmanchando
a bela lagarta
apodrecendo em seu casulo




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Zine Reboco Caído
Livro Futuro Cemitério
Livro Vomitando sangue

*Isso e outros trampos - O pedido é por aqui: fsb1975@yahoo.com.br* 

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

COLAR DE VERDES CRISTAIS

Por: Edu Planchêz

sem dar tréguas para a caminhada, 
que dei início no momento que a noite uivava,
saio do sono do corpo 
para entrar no sono dos afluentes 
do delta guaíba, do delta mississipi,
do delta mor contidos nos vasos 
que nos encarceram
na música primitiva dos ursos

e o blues pulsa puxando do chão
as raízes que nos somam 
a ígnea cor dos que choram,
dos que trovejam pelos dedos,
dos que cabem nos fiapos do tecido
das roupas tecidas por minha ama
no quartel dos soldados 
que se transvestem em formigas
para escalarem as notas mais graves

com essa linguagem que julgo não ser cifrada 
me comunico com o dialeto cuspido 
pelos que interagem com os sons
dos anéis que tremulam nos dedos do ar
da magnífica criatividade  
para na mágica do imortal amor 
ser um colar de verdes cristais
a adornar o pescoço de minha ama 

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

OUTSIDER DA GALÁXIA DE PARNASO

Por: Diego El Khouri


trago no olhar a volúpia e a morte nua revestida de delírio. sou a fome que arranca do peito o futuro e a sombra que acompanha todas as encruzilhadas no lado oposto da vida. sou a febre monódica dos bêbados no fundo dos bares. a luz opaca e nebulosa no fim dos salões manchados de gritos e vômitos. sou o silêncio que machuca toda pulsação da poesia que cerca a noite de orvalho. sou o vento suave e torpe que esbofeteia a cara da caretice e a mesmice, essa sanguessuga maldita, nunca me encontra nas esquinas, bares e ruínas na qual eu, ironicamente, sempre me encontro. sou a cálida manhã dos viciados, a têmpora maculada de lamas e fezes. e o barquinho azul na correnteza surreal e inimitável de todo bardo outsider da galáxia de parnaso.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

PANTERA NEGRA ROCK ' ROLL

Por: Diego El Khouri


outsider da galáxia de parnaso
da cidade-vertigem 
das membranas subcutâneas
alimentadas por lamas e fezes
das ruínas sudoríficas
entregues aos delírios do tempo
da fome invisível dos mendigos
que só tem a rua
para chamar de seu
das caveiras bizantinas
que cospem no sacrário
sêmen e hemoglobina
do pau torto que entorta
a via sagrada dos amores
das ninfas insubmissas
dos cabarés vermelhos
manchados de sangue 
e sífilis 
dos olhos escancarados
da noite
abarcando cus, paus
e bucetas
da língua rota que fode
firme a fossa funerária
da lascívia 
da ancestralidade que
da pele se faz viva
           corrente sanguínea, — Xangô
      orixá do Trovão
pantera negra rock n' roll
diego el khouri na cidade full time
           "delirium tremens"
— marginal ou marginalizado?
têmporas de tempos vermelhos
 tinta escarlate e amarga
e "o povo sangra que o estado caia
em uma piscina de sangue"
         — intenso  fogo fátuo —
           olhos acesos, 
          alma inquieta
povo de aruanda 
beijos sublimes na ancestralidade
"disco voador tatuado"
(sangue nas calçadas)
grito ecoa o grito o grito o grito
da fome da terra cálida 
zumbi dos palmares/dandara
escadarias afro futuristas
 malcomxlutherkingparks
     Pantera negra rock'roll full time  

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

___________________________________

Por: Edu Planchêz 

postar, escrever, 
gestar poemas no facebook,
diz-me um irmão, é inútil, algo perdido, que seja,
sempre combinei com baquiat, tela é parede, mesa, 
papelão, tronco de árvore, calçada...
e tinta, pó de café, açucar, óleo de soja,
guache, sangue de minhoca,
que o diga marvel Diego El Khouri

terça-feira, 17 de setembro de 2019

POR: EDU PLANCHÊZ

com a libidinosa argila 
preparo a escultura, 
de muitas faces, sem olhos, com muitos olhos,
biliares de olhos escapando 
dos laços, dos nós, 
atrito do corpo com a lama
matéria da arte,
matéria que espreme o ar,
a chuva,
o encontro,
a curva do encontro

paineira que avisto daqui do meio,
da serra, do meio da umidade

quaresmeira que me liga 
ao ipê rosa ( o que vi numa pintura de Diego El Khouri ),
e a enorme criatura de 83 metros 
que vive na amazônia coberta de flores e pássaros

sábado, 7 de setembro de 2019

DO FUNDO DAS VÍSCERAS

Por: Diego El Khouri

medíocres poderes
falanges de otários
congresso vendido
fascistas covardes
anjos decaídos
putas no sacrário
polícia bandida
na sombra
assombra noite e dia
estado fudido
fodendo minorias
pretos na cadeia
pra esses milicos
é bem mais lucrativo
eu insisto (!)
não aceito retrocesso
faço do verso minha arma
e da volúpia um eterno carnaval
cagando e andando
pra toda lei que asfixia os passos
não sou carta fora do baralho
artista preto louco no topo
assustando racista otário
Zumbi dos Palmares
meu sangue herdado
greves, brigas e lutas
(pra nós pretos nunca foi fácil)
quem se cala não fala
— nunca me calo — 
calo nas mãos da alma
poesia arrancada
do fundo das vísceras
Marielle Franco está viva
FOGO NOS RACISTAS!!!!!

(Paraty, RJ; 02/07/2019)

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Meu livro favorito

Meu livro favorito
Wagner Nyhyhwh

-Você está sempre lendo esse livro.
-Pois é.
-Já tá em que página?
-Na 200.
-É sobre o que?
-Não sei.
-Já está na página 200 e ainda não sabe sobre o que é o livro?
-Sim.
-Por que então continua a ler?
-Porque estou achando interessante.
-Como pode achar interessante se nem sabe sobre o que é o livro?
-Por isso está interessante.
…
…
-Quando terminar você me empresta?

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

QUEM É ESSE TAL EDU PLANCHÊZ?

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Por: Edu Planchêz 

Muitos de vocês devem perguntar:
"Quem é esse tal Edu Planchêz que vive a espalhar essas coisas lunáticas sem sentido, ou com sentidos estranhos aqui pelas páginas do facebook?" Hum! Respostas? Vamos a elas, eu as tenho e não as tenho... escrevo, escrevo e escrevo, escrever é minha maconha, minha cachaça, o que respiro, o que uso para arranjar comida, amor... Minha avó dona Eugênia Planchez quando percebeu que esse escriba nos idos dos seus seis anos começou a arriscar alguns versos, logo alertou: "Ser poeta é ter na fronte um signal de maldição", Minha avó tinha razão! Poeta que é poeta é Atlas, carrega o globo nos arcos dos ombros! Orgulhosa maldição! Para o monstro poeta nessa era maléfica carregar a primavera entre os dentes é um indescritível prazer. Eu sei o que é ser poeta, você sabe? Avante, "povo dançarino do abismo!"




sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O NOVO MUNDO

Por: Edu Planchêz

o ovelha, o traidor e o covarde se digladiam, se lambem,
ora abaixam a cabeça, ora levantam,
para baterem continência para a bandeira 
dos que estão cegos,
para os que ficaram cegos porque perderam suas identidades,
ou nasceram sem elas,
por serem crias de quadros apagados

assim caminha a humanidade, a manada dos normais,
dos caras que desligaram seus neurônios,
que estudam ( se estudam ) para apenas ter um diploma,
não para ser um arquiteto que trará soluções práticas
e belas para melhorar as condições dos viventes,
e sim para apenas ter um egoístico emprego,
ele também perdeu para a bandeira do capital,
sob seus pés o chão também rachou,
o chão está esquecido, não importa que seja asfalto,
cimento, grama, neve e pedras

com o chão rachado, com os pés rachados,
com o cérebro carcomido...
segue o novo mundo
que possui um mesmo senhor, o capital

domingo, 21 de julho de 2019

ARroTE


chegou num ponto
eu via
todas as pessoas condicionadas
pensamentos condicionados
alimentos condicionados
até o ar
condicionado
não, blasfemei
é hora de descondicionar.

FIM
do prólogo

terça-feira, 5 de março de 2019

OS AMARGOS HOMENS DE FARDA

Por: Edu  Planchêz 

O muro da vergonha, os muros da vergonha, a América, 
as América apodrecendo nas mãos dos que odeiam livros 
e pessoas, um fosso, uma fossa, no meio da mente, 
da alma dos governantes bestas 6666, idiotas maiores,
maiores que o insuficiente sistema de ensino

Os mortos-vivos, os que cospem pus, 
os que cospem caveiras porque são zumbis 
vagando sem alguma proposta
de valorizar o que nos ata as estrelas,
a dignidade, ao repeito...

Mas eles vão cair, serão agarrados pelas pernas,
o bicho trevas os levará para o sol da inteligência, 
para que ali ( aqui ) sejam incinerados
pelo perfume de Lorca embriagado de escuridões,
de enguias vivas que são vulcões libertários,
Franco passou, Lorca não passará,
eu não passarei, Diego El Khouri não passará

Minha poesia, sabe que nem mais os muros 
dos presídios funcionam, e aquele que constrói muros 
para isolar-se do outrem, 
não salvará nada nem ninguém
porque há em suas tripas o fedor da ganância,
da estupidez anacrônica, 
e o total desconhecimento do que é luz
por ser burro,  ávido  de lições primárias,
são eles, os acéfalos, 
os amargos homens de farda

domingo, 3 de março de 2019

DIEGO EL KHOURI, ME ESCUTE

Por: Edu Planchêz 

angustiado, eu o bastião da fé,
o que arranca as rolhas das garrafas de porcelana 
com as garras do olho da cara, 
com as garras do olho do cu

choro não e choro, mas não reclamo do tempo,
das algemas quebradas, dos pela-sacos desses dias,
dessas noites medievais, onde não sou o centro,
o sumo do limão siciliano 

eu antena de temporais
antenas da cara do gato,
da cara do cão, do lobo destruidor de presídios,
do bob dylan jim morrison 
múltiplo e único dessas pálidas páginas

e continuo sendo verme,
aracnídeo, crustáceo maldito por querer,
e eu quero, mais que quero porque sou cada vez mais desejo,.
portal aberto na fenda das vozes 

eu edu planchêz de tantas teias,
de tantas pertubações expostas latentes,
acho que sou livro,
instrumento distribuindo choques