O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

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Por: Edu Planchêz 

postar, escrever, 
gestar poemas no facebook,
diz-me um irmão, é inútil, algo perdido, que seja,
sempre combinei com baquiat, tela é parede, mesa, 
papelão, tronco de árvore, calçada...
e tinta, pó de café, açucar, óleo de soja,
guache, sangue de minhoca,
que o diga marvel Diego El Khouri

terça-feira, 17 de setembro de 2019

POR: EDU PLANCHÊZ

com a libidinosa argila 
preparo a escultura, 
de muitas faces, sem olhos, com muitos olhos,
biliares de olhos escapando 
dos laços, dos nós, 
atrito do corpo com a lama
matéria da arte,
matéria que espreme o ar,
a chuva,
o encontro,
a curva do encontro

paineira que avisto daqui do meio,
da serra, do meio da umidade

quaresmeira que me liga 
ao ipê rosa ( o que vi numa pintura de Diego El Khouri ),
e a enorme criatura de 83 metros 
que vive na amazônia coberta de flores e pássaros

sábado, 7 de setembro de 2019

DO FUNDO DAS VÍSCERAS

Por: Diego El Khouri

medíocres poderes
falanges de otários
congresso vendido
fascistas covardes
anjos decaídos
putas no sacrário
polícia bandida
na sombra
assombra noite e dia
estado fudido
fodendo minorias
pretos na cadeia
pra esses milicos
é bem mais lucrativo
eu insisto (!)
não aceito retrocesso
faço do verso minha arma
e da volúpia um eterno carnaval
cagando e andando
pra toda lei que asfixia os passos
não sou carta fora do baralho
artista preto louco no topo
assustando racista otário
Zumbi dos Palmares
meu sangue herdado
greves, brigas e lutas
(pra nós pretos nunca foi fácil)
quem se cala não fala
— nunca me calo — 
calo nas mãos da alma
poesia arrancada
do fundo das vísceras
Marielle Franco está viva
FOGO NOS RACISTAS!!!!!

(Paraty, RJ; 02/07/2019)

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Meu livro favorito

Meu livro favorito
Wagner Nyhyhwh

-Você está sempre lendo esse livro.
-Pois é.
-Já tá em que página?
-Na 200.
-É sobre o que?
-Não sei.
-Já está na página 200 e ainda não sabe sobre o que é o livro?
-Sim.
-Por que então continua a ler?
-Porque estou achando interessante.
-Como pode achar interessante se nem sabe sobre o que é o livro?
-Por isso está interessante.
-Quando terminar você me empresta?

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

QUEM É ESSE TAL EDU PLANCHÊZ?

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Por: Edu Planchêz 

Muitos de vocês devem perguntar:
"Quem é esse tal Edu Planchêz que vive a espalhar essas coisas lunáticas sem sentido, ou com sentidos estranhos aqui pelas páginas do facebook?" Hum! Respostas? Vamos a elas, eu as tenho e não as tenho... escrevo, escrevo e escrevo, escrever é minha maconha, minha cachaça, o que respiro, o que uso para arranjar comida, amor... Minha avó dona Eugênia Planchez quando percebeu que esse escriba nos idos dos seus seis anos começou a arriscar alguns versos, logo alertou: "Ser poeta é ter na fronte um signal de maldição", Minha avó tinha razão! Poeta que é poeta é Atlas, carrega o globo nos arcos dos ombros! Orgulhosa maldição! Para o monstro poeta nessa era maléfica carregar a primavera entre os dentes é um indescritível prazer. Eu sei o que é ser poeta, você sabe? Avante, "povo dançarino do abismo!"




sexta-feira, 16 de agosto de 2019

O NOVO MUNDO

Por: Edu Planchêz

o ovelha, o traidor e o covarde se digladiam, se lambem,
ora abaixam a cabeça, ora levantam,
para baterem continência para a bandeira 
dos que estão cegos,
para os que ficaram cegos porque perderam suas identidades,
ou nasceram sem elas,
por serem crias de quadros apagados

assim caminha a humanidade, a manada dos normais,
dos caras que desligaram seus neurônios,
que estudam ( se estudam ) para apenas ter um diploma,
não para ser um arquiteto que trará soluções práticas
e belas para melhorar as condições dos viventes,
e sim para apenas ter um egoístico emprego,
ele também perdeu para a bandeira do capital,
sob seus pés o chão também rachou,
o chão está esquecido, não importa que seja asfalto,
cimento, grama, neve e pedras

com o chão rachado, com os pés rachados,
com o cérebro carcomido...
segue o novo mundo
que possui um mesmo senhor, o capital

domingo, 21 de julho de 2019

ARroTE


chegou num ponto
eu via
todas as pessoas condicionadas
pensamentos condicionados
alimentos condicionados
até o ar
condicionado
não, blasfemei
é hora de descondicionar.

FIM
do prólogo

terça-feira, 5 de março de 2019

OS AMARGOS HOMENS DE FARDA

Por: Edu  Planchêz 

O muro da vergonha, os muros da vergonha, a América, 
as América apodrecendo nas mãos dos que odeiam livros 
e pessoas, um fosso, uma fossa, no meio da mente, 
da alma dos governantes bestas 6666, idiotas maiores,
maiores que o insuficiente sistema de ensino

Os mortos-vivos, os que cospem pus, 
os que cospem caveiras porque são zumbis 
vagando sem alguma proposta
de valorizar o que nos ata as estrelas,
a dignidade, ao repeito...

Mas eles vão cair, serão agarrados pelas pernas,
o bicho trevas os levará para o sol da inteligência, 
para que ali ( aqui ) sejam incinerados
pelo perfume de Lorca embriagado de escuridões,
de enguias vivas que são vulcões libertários,
Franco passou, Lorca não passará,
eu não passarei, Diego El Khouri não passará

Minha poesia, sabe que nem mais os muros 
dos presídios funcionam, e aquele que constrói muros 
para isolar-se do outrem, 
não salvará nada nem ninguém
porque há em suas tripas o fedor da ganância,
da estupidez anacrônica, 
e o total desconhecimento do que é luz
por ser burro,  ávido  de lições primárias,
são eles, os acéfalos, 
os amargos homens de farda

domingo, 3 de março de 2019

DIEGO EL KHOURI, ME ESCUTE

Por: Edu Planchêz 

angustiado, eu o bastião da fé,
o que arranca as rolhas das garrafas de porcelana 
com as garras do olho da cara, 
com as garras do olho do cu

choro não e choro, mas não reclamo do tempo,
das algemas quebradas, dos pela-sacos desses dias,
dessas noites medievais, onde não sou o centro,
o sumo do limão siciliano 

eu antena de temporais
antenas da cara do gato,
da cara do cão, do lobo destruidor de presídios,
do bob dylan jim morrison 
múltiplo e único dessas pálidas páginas

e continuo sendo verme,
aracnídeo, crustáceo maldito por querer,
e eu quero, mais que quero porque sou cada vez mais desejo,.
portal aberto na fenda das vozes 

eu edu planchêz de tantas teias,
de tantas pertubações expostas latentes,
acho que sou livro,
instrumento distribuindo choques

sábado, 23 de fevereiro de 2019

A MACONHA ANCESTRAL

Por: Edu Planchêz


e dirão os que não sabem, 
ou pouco sabem, de mim, de ti...
( no tempo que fumávamos maconha apertada 
na bruta seda que envolve os velhos maços de cigarros
( e é impossível não ver a sombra empoeirada 
de jack kerouac 
pela paredes dessa casa antiga, lar de meu filho...

e a maconha ancestral
e a maconha da comemoração dos anos que se espalharam 
nos cavalos das calçadas da cidade,
da cidade de minha solta vida

"evoé jovens artistas!"
artistas dos novos dias
em que para comer cantamos 
dentro dos vagões do metrô-rio

e a maconha perfumada pela mãos de diego el khouri
assume a forma de um ser do livro dos seres imaginários,
e jorge luis borges, de roupas finas e brancas,
de sino e espada, no alto das montanhas de ur,
donde as tábuas de granito exibem dizeres
( inda que carcomidos )

o tempo cozinha a pedra 
para a pedra voltar a ser feto

a maconha brasileira,
colhida e plantada pelos tupinambás,
fumega cá em minha boca, 
cá nas antenas cabelos dos traços que largo
agora no mundo ( das pirâmides )


quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

PRECIPÍCIO

Por: Diego El Khouri

o universo é lindo
trás as cores do abismo
abismo-infinito
tão ríspido, insípido
como gotas de cinismo
numa clara manhã
                     de precipício.

sábado, 22 de setembro de 2018

Brasa mórbida


Por Fabio da Silva Barbosa

Assisti seu corpo caindo de cara no chão
Vi sua mente dilacerada
sem reconhecer o irmão

O frio bate forte
nessa cidade triste
sem espaço para mim ou você

Percebi quando mataram aquele pequeno bebê por ser um índio
Fechei os olhos para não ver o espancamento do pedinte
Tentei me enquadrar, mas o cheiro de sangue não permitia

Não consegui absorver
a crueldade
do bem sucedido

Não quero participar de mais este linchamento
Não quero me preencher com todo excremento
Não posso ser mais um isento

Assisti aquela menina
se deteriorar em todo caos
enquanto ordinários assinavam novas leis

O garoto dorme novamente com fome
O homem vira fera
pior que o lobisomem

As flores estão murchas
e as frutas podres
como todas estas mentes torpes

As pessoas agem como se estivesse tudo certo
A ignorância é o passe para o cidadão de bem
Seja parte e se torne um inseto

Que os insetos me perdoem

Cercados pela desgraça


Por Fabio da Silva Barbosa

Você volta tão frágil
da  clínica de reabilitação
É tanta tristeza em seus olhos
na face a dor da solidão
Não há remédio que cure
tanta desilusão
Não há mente que suporte
esse mar de frustração  
E o corpo implode
diante de tanta punição
Expressões contorcidas
demonstram o caminho percorrido até então
É mais que desgosto
dessa flagelação
Só nos resta sentar juntos
e fazer destas lágrimas o nosso pão
Se não tem como te proteger
que soframos juntos então

Dança Urbana


Por Fabio da Silva Barbosa

Foi só o sinal ficar verde, liberando a passagem dos carros, que ele se pôs a caminhar no meio da rua. Deu um salto da calçada, caindo já andando pelo asfalto. Se inclinou para frente deixando passar um carro e retrocedeu dois passos para não ser atingido por outro. Os veículos passavam em alta velocidade. Rodopiando entre os automóveis que vinham acelerados, chegou ao outro lado.
Um pedestre que assistia a cena, falou em tom de brincadeira:
- Quase amassou o carro dos outros, rapaz.  
Ele olhou satisfeito e deu um sorriso:
- Sempre faço essa dancinha. Você tem de ver no cruzamento da avenida. Dou um show.  

Eu, Princesa e Papai


Por Fabio da Silva Barbosa

Todo dia venho vê Princesa. Ela tá sempre ali esperando.  Conheço bem aquelas patinha pro alto.
Um dia, tinha uns menino jogando pedra pra vê se a barriga dela explodia. Fiquei braba e botei todo mundo pra corrê. Se eu pego, arrebento.
Já chega o que ela sofreu lá em casa. Papai disse que ela pegô ziquezira. No fim, ela já nem andava mais.
Um dia, Papai pensô que eu tava dormindo e foi pro quintal. Esperei um poco e fui atrás. Ele tava com um saco na cabeça da Princesa e apertava o pescoço dela. Ela só tremia a perninha. Voltei pra cama assustada.
Por que Papai tava fazendo isso com ela?
No dia seguinte ele me acordô cedo pro colégio. Tava com cara triste. Corri pro quintal, onde  Princesa costumava ficá. Ela não tava.
- O que aconteceu com Princesa?
- Não sei, minha filha. Acho que fugiu.
Papai respondeu de cabeça baixa. Acho que desde que mamãe foi embora de casa ele não ficô tão triste. Ele também gostava muito da Princesa. Ela sempre esperava ele chegá do trabalho. Quando via ele vindo na estradinha, ia correndo pulá na perna dele, sujando a calça de barro. Papai gostava daquela festa. Eu vinha logo atrás e pulava nele, agarrando no pescoço. Papai era forte e guentava nós duas fazendo festa. 
- Mas ela tava doente que não conseguia nem andá.
- Deve tê melhorado e fugiu no meio da noite. Vamo logo pra você não chegá atrasada.
Ele me deu a mão e fomo em silêncio pela estradinha. Chegamo na pista e atravessamo a primera parte dela. Tinha um rio que separava a primera parte da segunda. De cada lado o carro ia numa direção diferente. Vi que Papai acelerô o passo e resmungô alguma coisa quando passamo pela ponte. Acho que era pra prestá atenção na aula e voltá direto pra casa sem ficá me distraindo pelo caminho.
Na volta, pulava pela ponte olhando as coisa que passava boiando por baixo, como fazia sempre. Mas, dessa vez, quando olhei pro rio, vi as patinha dela pro alto. Era princesa. Eu tinha certeza.
Naquele dia papai voltô bêbado pra casa. Não conseguiu acordá cedo pra me levá pro colégio. Levantei atrasada e fui correndo.  Ela ainda tava lá.
A cada dia que passava, a barriga dela tava mais inchada. Devia tá bebendo muita água. Um dia gritei pra ela se virá.
- Virá a cabeça um poco pra fora dágua.
Ela nem se mexia. Ficava lá, com as patinha pro alto. De vez em quando parecia que eu via a patinha dela tremê, igual naquele dia que Papai apertô o pescoço dela.    
Papai nunca mais foi do memo jeito. Ficô pió de quando mamãe sumiu junto do vizinho. Ele nunca mais me levô pro colégio e todo dia chegava tarde e bêbado.
Pelo menos eu ficava ali olhando Princesa. Cuidando dela de longe. Se a água do rio não fosse tão suja, eu decia lá pra pegá ela. Fazê um carinho naquela barriguinha inchada dela. Mas só o chero daquela água fazia mudá de ideia. Podia pegá ziquezira e depois Papai ia tê de apertá meu pescoço tamém.
Um dia a chuva veio forte. A água do rio tinha subido e levava tudo pela frente. Olhei de cima da ponte e não vi as patinha pro alto, nem a barriga inchada. Tinha uma cadera ali perto que também não tava mais. Era tudo água e coisa passando rápido.
Dois dia depois a água já tinha voltado ao normal, mas Princesa tinha ido embora. Cansô de ficá ali bebendo água, de perna pra cima.
Cheguei em casa e Papai tava dormindo. Não tinha ido trabalhá. Acordei ele e pedi pra ele melhorá logo. Agora só tinha a gente e não era hora de ficá doente também.
Ele ficô me olhando e depois me abraçô forte.
No otrô dia ele começô a melhorá.

Guimba e a consciência Social


Por Fabio da Silva Barbosa

Nada surge do nada. As coisas, fatos e fatores possuem toda sua história. O menino rouba, mas ele não nasceu naquele momento, roubando.  Ele trabalhava duro como cobrador da combi que fazia a subida do morro. Chegava na porta de casa exausto e tinha de esperar sua mãe acabar de se “divertir” com algum bêbado que havia arrastado do forró. Sentava e ficava esperando ao lado da porta aquilo que poderia durar a noite toda. Muitas vezes, quando conseguia entrar no barraco de um cômodo, via o pouco dinheiro que tinha conseguido ser tomado por ela. Codinome: Cangaceira. Ambos possuíam muitas cicatrizes pelo corpo e pela alma. O frio batia forte até a porta abrir. Via as pernas bêbadas passarem ao seu lado e entrava de cabeça baixa. A panela vazia. Não existia banheiro ou janela. Se acomodava sobre os trapos em um canto, dividindo o espaço com a cadela que tinha como única amiga. O nome dela era magrela. Nem ele, nem Magrela, gostavam do cheiro de pedra quando a mãe tava fumando. O barraco ficava impregnado. Agora era linchado por uma multidão que o culpava por não ter consciência social. Morreu sem saber o que isso significava 
Nada surge do nada. Tudo tem um início, um meio e um fim.

Na instituição para menores infratores


Por Fabio da Silva Barbosa

Tenho uma hora do lado de fora, as outras vinte e três são trancadas neste quadrado com três caras que nunca vi na vida. E dizem que não existe pena pra menor. Então o que é isso que tô cumprindo? Tá louco!?
A pior hora é quando fecha a porta. Isso é o sinal de que ela só abrirá de novo no outro dia. A não ser que você esteja matriculado no colégio, ajude na limpeza... Faço de tudo. O negócio é não ficar o dia aqui dentro. Até a visita ajudo a organizar. Já que não recebo visita, pelo menos ajudo a organizar a dos outros. No final ainda posso comer a sobra dos lanches que o pessoal leva.
Só não participo do culto. Não gosto da gritaria que o pastor faz. Nessa hora prefiro ficar trancado aqui.
Fico pensando como meu pai tá lá no presídio. Se aqui é ruim assim, imagina lá.
Dia desses fui pro Isola. Lá é pior ainda. Lá nem uma hora a gente tem pra sair do quadrado. E no quadrado só fica nós e nós. Não tem nem mais três junto. Ratiou, vai pro Isola. É a regra.
Já passou um mês e nem a sentença saiu ainda. Quando o juiz decidir o que vai ser de mim, aí deve piorar.
Mas meu caderno tá bonito. A professora disse que sou inteligente, que falo bem. Tô lendo aqui uns livros que ela me passou. Tem um aqui que fala de uns guris vida louca, muito parecidos comigo.    
Justamente quando tava chegando no fim do livro sobre a gurizada louca, um dos meus parceiros de quadrado passou alguma coisa em volta do meu pescoço. Os outros dois fingiam que tavam dormindo pra não se envolverem.  O que era aquilo que ele conseguiu para me enforcar. Nem cadarço de tênis podia entrar. Sei que não tava conseguindo me soltar. Me debati bastante.
Dei trabalho, mas logo a vista começou a apagar.

Pela neblina


Por Fabio da Silva Brbosa

Vagando pelos lugares de sempre
sem se preocupar se está perdendo tempo
ou apenas usando os segundos

Enquanto eles querem prolongar ao máximo a existência
você se joga de cabeça
sem temer a morte

A chuva fria molha a roupa
As meias rasgadas já estão encharcadas
Faz muito tempo que não sente o calor de um lar

Mas as ruas
não lhe parecem tão más
quanto aos demais

Não importa do que é feita a grade
pois uma jaula
é sempre uma prisão

A regra social não lhe apetece
Não quer caber em uma caixa
mesmo se pintada de ilusão

Os governos fazem guerras
mandando jovens pro caixão
enquanto eles riem pra televisão

Mas você não quer saber
apenas corre pela madrugada
sem saber se é noite ou dia

Eles te odeiam por isso
Não podem suportar sua liberdade
Tentam te soterrar com seus olhares de frustração

Só que você é mais forte que imaginam
e seu corpo magro
veste uma armadura de fúria

Não querem te entender
e você não pede
essa tal compreensão