O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.

domingo, 30 de abril de 2017

REFLEX



Por Alexandre Mendes

Ninguém sabe ao certo

A origem da certeza

Do errado e do correto

Pois, tentando ser honesto,

O certo é descarado

Criação do concreto,

transforma o ser mandado

em desenho animado

 personagem objeto

Boa Noite

Por: Alexandre Mendes 

(Para Wilian)


No ápice da madrugada,
 esparramou-se, defronte a estrada
virou os olhos para os lados
deus adeus, fitando o nada
 É, vizinho...
Quatro é o número do azar
deixou sua amada em prantos 
olhando você descer no abismo
e três lindas menininhas pra criar..

Dias Cinzas

domingo, 23 de outubro de 2011


Abri um olho
o outro faço questão de manter fechado
quero ver a realidade, 
com um pé no mundo da ilusão...


bolas rosadas descem pela garganta,
facilitando a caminhada pelo bosque 
que a minha imaginação construiu
longe da malandragem, bem distante da morte


menos um menino, menos um rapaz,
mal começou a ser adulto
com a boca na terra
por detrás do arbusto


Parem essa bola maldita!
Não quero mais sentir ela rodando...
Belos sorrisos, rostos alegres
crianças felizes, dos seriados de TV
Eu quero esse mundo....
Eu quero esse mundo....
Não é pedir demais


Vou dobrar a dosagem,
Para ver se eu chego lá....


Por: Não importa quem....mais um....somente mais um...

FIM

Por Alexandre Mendes



A palavra fim é o que move os seres dotados de inteligência, desde os primórdios.Assim que o primeiro hominídeo caiu morto ou foi devorado, os seres que assistiram o espetáculo, se conscientizaram que havia um fim para as suas vidas. Tal fato desesperador fez com que o homem começasse a crer no invisível e em várias formas de além para a vida.
A busca incessante pelo poder, custe o que custar, em detrimento de milhares é um dos objetivos inconscientemente construídos, para fazer valer a vida enquanto ela é vivida.
   Outras sociedades que sucubiram ao objetivo acima descrito, e que não descambaram para a usurpação do ser humano, foram as indígenas. Excetuando a escravização de alguns índios de tribos inimigas, a organização social do índio era muito mais amena.
Os índios plantavam, caçavam, pescavam, preparavam utensílios domésticos, traziam o alimento para a aldeia, faziam a refeição e descansavam o resto do dia.
   Entretanto, eles também tinham medo do fim e criaram deuses e curandeiros.
  Os Astecas, por exemplo, sacrificavam diversas pessoas, todos os dias, com medo de que o sol nunca mais nascesse...
Não. Eu acho que ainda não é o ...

Jesuira

Por Alexandre Mendes

Opa! São eles!
Abaixa aí!
Não se mexe!
coração batendo a mil
já vi aquele carro
sinistro
vou meter o pé
até

F

Por Alexandre Mendes

Medo do mundo e de todas as estranhas entranhas
apavoram, desafiam...
Universo oculto, seria deselegante
Se eu procurasse você?
Ele tem a lei
Ele tem a lei?
Será que tem?
Ah! Deve ter, sabe-se lá o quê.
Ele tem toda confiança da Pólis
E anda mascarado, ao meio dia
para mim...para você!
As verdades que dizem na freguesia
um dia, foram verdades absolutas
Parasitas em pensamento apático
o tempo todo, de geração a geração
Pode até ser que alguém me diga
que o bom velhinho, guarda a lei
abraçando a parasita
Vi tudo
Fechei os olhos
e, de todo coração
construí o meu belo mundo...

Tranca

Por Alexandre Mendes
Reclamação e indignação
A multidão bradava em prantos
por justiça e liberdade
Por aqui, em todos os cantos,
clamavam os páreas da cidade,
De repente, na madrugada
ouviu-se um forte estrondo
que vinha da parte mais elevada
estampido estampado pelo vão
da telha cinza-claro adentro
deitados no colchão
sem expor o seu lamento
Boca fechada, nem mais uma palavra.

MIFE



Por: Alexandre Mendes

Sólidas paredes emergem ao redor
A cidade tem um sobrenome...é caos!
Hambúrguer, panelas, mulheres e homens
caminham rumo a trilha
um tanto imposta; um pouco escolhida, 
Gritos de solidão em murmúrios coletivos...
O frio da noite esquenta o que pode vir a acontecer
Quem está ao lado, vai ficar de lado
Corda, pescoço, pistola, pelado
Mata, correndo, chorando, deitado
Sol quente, cinzas, nuvens...
_Nublado_

Chapunaré

Por: Alexandre Mendes

As pedras são testemunhas: uma janela aberta no espaço tempo.
Essência, moral e história do mundo, em tudo que sente, mas não admite; que vê, mas finge que não conhece.
Quase se torna impossível, a passagem da memória, pela fúria do trovão. As ervas daninhas cercam a figura.
Foi na exata madrugada do dia quinze que ele tirou a venda e a mordaça, e saiu gritando pelas ruas de Chapunaré...


Senda


Por Alexandre Mendes

Toma esta enxada!
Eu não quero!
Tome esta vassoura!
Eu não quero!
Toma esta bandeja!
Eu não quero!
Eu não quero!
Eu não QUEROOOOOOOOO!!!!!

MANOS



Por: Ricardo Vasconcellos
Alexandre Mendes

Instrumentos de corda; de batuque e aparatos ligados a tomada

 vozes do passado, vozes ritmadas

nos trazem doces lembranças

 de antigas madrugadas....

Só existem na dimensão de nossas mentes...

os cheiros, o vento da noite, os risos, as palavras...

ideias que se perderam...em antigas madrugadas


Coglione


Por Alexandre Mendes

Vivo vivendo
uma vida que vive por mim
dia após dia, tarde, noite, dia, dia,dia...
milésimos, centésimos, segundos e horas
vivo vivendo uma vida que ainda não havia sido vivida
mas quando paro e observo: quantas vidas são semelhantes
momentos alegres, tristes, raivosos, ignorantes,
egoístas e depois, novamente alegres como antes
dia após dia, ano após dezembro
vou vivendo a minha vida, ora discordando, ora refazendo
vida louca vida, já dizia o poeta
caras insanas, opiniões sem metas
mas não importa: amanhã acordarei e continuarei a vivenciar
a vida que o acaso trouxe de um ventre ensanguentado para a superfície deste mundo mal amado...

Os Olhos da Terra

Por: Nihildamus


Meninos, eu vi…
Vaidade das vaidades
e um comendo o outro,
sem ter necessidade;
A lua sobre o sol,
Nenhuma luz pela manhã.
Eu vi a bomba,
vi a queda, vi a lágrima,
desprezo…
Meninos, eu vi…
Ganância e mentira,
ódio e idolatria,
o sol sobre a lua,
luxúria e apatia…
Em um apocalipse eterno,
Até quando durará?
Beije o terço, beije o muro
e ajoelhe para lá
NADA, NADA, NADA
será o seu galardão… 

salário

Por Alexandre Mendes


salário
contas,contas,contas
doenças,remédios
contas...
financiamentos, empréstimos, juros
contas,contas,contas
cartões, dívidas, cheques
contas........
horas extras, dobras, feriados trabalhados
doresdedente, orçamentos,passagens
contas,contas,contas
doresdecabeça,exames,laudos 
táxis,valores,contas
doresdebarriga,filas,esperas
boletos,senhas,atendimentos
contas.....
contas........
contas..........
contas............
contas..............
salário

Ah!

Alexandre Mendes 

Eu queria ser forte o suficiente
e mudar o mundo com o poder da mente
Entortar canhões, ver sorrisos contentes
Ah! Como eu queria!

Eu queria saciar a fome do mundo
e expurgar o político vagabundo
Limpar tudo aquilo que é imundo
Ah! Como eu que queria!

(A minha cara é bem feia, mas o meu coração é do tamanho de um planeta!)​
 

Brêiqui de Rullis

   Pegou a “lata de sardinha” até o Centro.
   As instruções do coletivo:
. Pague a passagem com trocado, pois o cobrador nunca tem troco a essa hora.
. Não fume no interior do coletivo.
. Não coloque o celular aos berros.
. Não roce nas mulheres, pois pode levar uma coça.
. Desça, somente, no ponto.
                 _Seguiu a risca, as regras do “catacorno”_
   Chegou ao trabalho atrasado, por causa do rotineiro engarrafamento.
   As instruções do seu patrão:
. Senta aqui e escuta o meu sermão do dia.
. Sorria sempre para as tarefas de adulto que lhe obrigamos a executar.
. Conforme-se com o salário de criança que nós lhe pagamos.
                 _Seguiu a risca, as instruções do patrão_ (e, também, da patroa e do coletivo, como era de costume.)
   Anos de mesmice depois... Bateu aquele tédio proibido em João Ninguém. O sentimento transformou-se em ódio, que descambou para a loucura...
   Acordou as três da manhã, com o despertador. Desligou o quadradinho e, só se levantou na hora em que se sentiu bem.
   Caminhou até o ponto do ônibus, comendo a marmita gelada. A blusa do uniforme, toda amarrotada e cagada de comida, no corpo.
   Entrou no coletivo; deu um arroto e pulou a roleta: Levou um esporro do cobrador. Puxou 50 pratas do bolso e pagou a passagem, dizendo ao funcionário que ficasse com o troco. – Hoje, vamos quebrar a rotina!
   Cantarolou até a Central do Brasil, incomodando todos os passageiros. Resolveu acender um cigarro, bem no meio do salão. Foi severamente repreendido: apagaram o tabaco dele, na marra. Enquanto muitos, ainda falavam mal de sua mãe, resolveu roçar sua troçoba, nas nádegas de uma senhora recatada. Desceu fora do ponto, na altura da Praça XV, debaixo de uma saraivada de porradas.
   Chegou ao trabalho, com o uniforme amarrotado; ensangüentado e manchado de feijão. Estava, três horas, atrasado. Olhou para a cara feia do chefe e, antes que ele dissesse algo, pronunciou as palavras mágicas para a sua liberdade:
   - Vai tomar no núcleo do centro do olho do orifício do teu cú!!!
   Juntou seus trapos e foi embora mais cedo, para sempre.
  Caminhou de costas, até sua casa, cantando “Sociedade Alternativa”, de Raul Seixas, durante quatro horas.
  Passou na barraca e pediu ração, biscoito, leite e, ao invés de pagar, saiu correndo. Despejou os três alimentos na entrada do seu quintal. Misturou-os, com o pé descalço; agachou-se e, como um animal selvagem, alimentou-se.
CONCLUSÃO:
“O Ministério do Trabalho adverte: Nossas leis contêm substâncias tóxicas que podem levar ao adoecimento e a morte.

O Cuspe que virou lodo


Por: Nihildamus

Valores são farelos
na ética da jaula
juízos e juízes
se metam em suas vidas
preconceitos
pré-destinos
dois lados da moeda
pós-moderno
globaliza
transforma-se em inferno
sunitas, xiitas
MPLA e UNITA
Sendero e as FARC
estão prontas pro ataque
Al-Qaeda e Al-Fatah
estão doidas pra matar

E você aí, de clic-clic no mouse!

AO PATRÃO, COM CARINHO

Por Alexandre Mendes

Como vai, velho canalha!
Por muitos anos, dia após dia,
enchi teu bolso de alegria
na minha carteira, quase nada
suor pingando; garganta seca
trabalhei duro; sol escaldante
e você lá no restaurante,
tacinha de uísque sobre a mesa

Como vai, velho safado!
Por muitos dias, ano após ano,
me usou bastante e deu o cano
Lamentei desamparado
mão com bolha a calejar,
pé descalço e rachado
e você lá no Corcovado
com sua prole a passear

Como vai, seu velho fútil!
Depois de anos e alguns dias
me sugando as energias
transformou-me em um inútil

quando pensei em parar,
vi que não contribuía,
negada aposentadoria
continuou a me explorar

Como vai, velho imundo!
Vai como, velho picareta!
Espero um dia te encontrar sentado
no colo em brasas do capeta!

HISTÓRIA DE AMOR


Por: Alexandre Mendes

Ela acordou cedo e colocou o café na mesa, para ele. Era o dia do seu aniversário. Acordou-o, com beijinhos e abraços.
- Feliz aniversário, meu amor. Vem tomar o café que preparei para você. – Disse ela.
Tomaram o café, apaixonadíssimos. Lembraram de como se conheceram e, como foi o primeiro beijo. Riram, recordando da última viagem que fizeram pelo mundo. Um casal sem filhos, jovem, saudável e rico. Viviam a vida, sem aparentes preocupações.
- Eu te amo. Sempre, te amarei. – Dizia ele.
Após o momento mágico, ocorrido durante o café, beijaram na boca, intensamente. Suas coxas se entrelaçavam, embaixo da mesa.
- Vamos para cama! Quero ser tua.
Deitaram no leito de amor e fundiram-se em um só corpo, durante toda manhã. Desfaleceram em gemidos e, finalmente, relaxaram, cada um do seu lado da cama.
-Meu amor, como você me satisfaz! – Murmurou o aniversariante.
O odor do sexo ainda pairava no ar, quando a campainha da porta tocou. Ela fixou os olhos nele, como nunca havia feito antes. – Eu tenho uma surpresa para você!
Ele sorriu, feliz por ter uma mulher que o amava tanto. Ela se levantou da cama e caminhou em direção a porta. – Feche os olhos, paixão. Só os abra, quando eu mandar!
Um simples momento que, para ele, pareceu uma eternidade.
 “Ah! Que surpresa, o meu amor preparou para mim?” – Pensou ele, curioso.
Os olhos se abriram, no exato momento em que sentiu algo pontiagudo invadir seu peito: Era o jardineiro, que o golpeava, diversas vezes, com um facão. Observou, no fundo, ela revirando o seu lado do armário. Quando, já não tinha mais forças para se defender ou respirar, escutou ela dizer:
- Aonde será que esse filho da puta guardou a apólice!
Ela e o jardineiro simularam um assalto na casa, receberam o seguro
e viveram felizes para sempre...

FIM

DESTINO


Impropérios e críticas são lançados
como pedras em minha face;
meus dias são preto e branco,
com legenda para cegos

Estatelado na calçada;
 Pisoteado e amarrotado
Meu eu está irreconhecível:
Sou qualquer coisa que não seja eu

Como um parafuso que gira,
gira e gira,
faço operações que não queria
Infeliz etapa industrial

Encarar a realidade
sem Davi e seus salmos
A realidade são pedradas
no centro da minha fronte

A morte...a morte...- Balbucio
Não há mais lugar para mim
dentro da caverna onde todos
enxergam sombras refletidas

Venha morte...me leva
Liberta-me do ambiente egoísta;
torpe ganância desenfreada
Venha no relento da madrugada

Venha... Única certeza do homem
Quase todos te temem,
mas há todos consome

Venha...chegue mais perto,
mais perto,
mais perto
do fim