O COLETIVO ZINE É UMA AÇÃO CONJUNTA. A PROPOSTA É REUNIR DIVERSOS FANZINEIROS OU CRIADORES INDEPENDENTES E PRODUZIR UM TRABALHO COLETIVO. CADA PARTICIPANTE CONTRIBUI DA FORMA COMO PUDER, SEJA NA CRIAÇÃO, MONTAGEM, EDIÇÃO, ADMINISTRAÇÃO, DIVULGAÇÃO, DISTRIBUIÇÃO. O IMPORTANTE É SOMAR ESFORÇOS. E ASSIM MULTIPLICAR A DIVULGAÇÃO DO TRABALHO DE CADA AUTOR E DIVIDIR O TRABALHO. SE DER CERTO,CONSEGUIREMOS CHEGAR A NOVOS LEITORES QUE JAMAIS CONHECERIAM NOSSO MATERIAL SE O PROMOVÊSSEMOS ISOLADAMENTE. E NA PIOR DAS HIPÓTESES, AO MENOS TEREMOS UMA DESCULPA PARA INSANAS FESTAS DE CONFRATERNIZAÇÃO E LANÇAMENTO DE ZINES. ENTÃO, MÃOS À OBRA. MISTURE-SE.

terça-feira, 25 de março de 2014

Moedor de gente

Por Fabio da Silva Barbosa

 .
População oprimida
Bala perdida
Mulher arrastada
Realidade arrasada
 .
População reprimida
Vida destruída
Mente enganada
Gente parada
 .
População desprezada
Ditadura disfarçada
Carne moída
Moída pancada

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Memória

 Por Fabio da Silva Barbosa
A garotinha entrou pelo bar com uma garrafa vazia. Pediu que enchesse. Queria água. O calor era infernal. O dono do estabelecimento perguntou com quem ela estava. Ela disse que a mãe esperava na rua ao lado. O comerciante demonstrou preocupação e foi até a porta olhar para os lados. Insistiu na pergunta. A menina saiu correndo e sumiu na esquina.
Poucos minutos se passaram e voltou com uma senhora e outra criança. Todas traziam garrafinhas vazias. O comerciante pediu que elas esperassem do lado de fora. Acho que não gostou do cheiro delas. A senhora também parecia não gostar do cheiro ou da situação em que estava.
Ele voltou com as garrafas cheias de água quente da torneira. A senhora estava de costas, olhando a rua, escondendo o choro que teimava em aparecer, mesmo com a força que fazia para mantê-lo na inexistência. As crianças pegaram suas garrafas e saíram brincando pela rua. Levei a garrafa da mãe (pelo menos eu achava que era a mãe) e entreguei em suas mãos. Pude confirmar o rosto contorcido pela dor.
Ao vê-la sumir pela avenida, comentei com os demais que ela estava chorando. O dono do estabelecimento fingiu pena, uma mulher disse que já tinham ido e que não fazia sentido pensar na cena. “Já acabou!” Outro freguês disse que não podíamos mudar o mundo. Outro falou que não podíamos fazer nada e que o melhor era esquecer.
Nunca consegui esquecer certas coisas com facilidade.   

domingo, 12 de janeiro de 2014

RETRATO: SÉRGIO SAMPAIO

(Por Ivan Silva)



SÍNTESE



(Por Diego El Khouri)


suavíssimo Vento de Ventilador Velho,
jacarepaguá fervilhante (inferno),
neal explode  paredões, derruba fronteiras
na flor delirante de infinitas janelas

eu, anjo louco, bêbado, Perdido, gauche cego
o “além do homem”

sou eu mesmo, amarrado no tronco
Chicoteado pela deusa da poesia
pedindo mais e mais Chicotadas

 a luz está presente
seu olhar de raiva também

sêmen
sábados de lua cheia
(sempre cheia)

me reconheço em seus passos, ó poeta,
de singularidade efêmera,
simples, altamente simples


de bandido
a herói
de criativo
a auto plagiador

- alecrim,
AURORA
porrada
manifesto. 

(Rio de Janeiro, dezembro, 2013)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Coletivo Zine 2 a caminho

Estamos quase lá! O arquivo final do zine está sendo preparado pra ser enviado para a gráfica. Se tudo correr bem, muito em breve lançaremos a 2ª edição do nosso zine. Fiquem ligados!



terça-feira, 12 de novembro de 2013

A ARTE VISUAL DE DIEGO EL KHOURI





Título: La Boemia
Técnica: grafite s/papel



título: Lapa
Técnica: óleo sobre tela




título: Labirinto
Técnica: óleo sobre tela


Título: Soma, Psique, Nous
Técnica: óleo sobre tela



Título: Clown
Técnica: óleo s/ tela



Título: O olho de Lótus
técnica: mista


Título: O enforcado
Técnica: óleo s/ tela


Título: Senhor e senhora Cichetto
Técnica: grafite sobre papel


Título: Criação
Técnica: óleo s/ tela


Título: Jim
Técnica: óleo s/ tela

Título: Fanatismo
Técnica: óleo s/ tela


Título: Caminhante
Técnica: óleo s/ tela


Título: Caminho
Técnica: óleo s/ tela


Título: Ginsberg
Técnica: mista


Título:Samira Hadara
Técnica: óleo s/ tela


título: caricatura do Rogério Skylab
técnica: grafite s/ papel


Título: Livros constroem sonhos
Técnica: mista

Título:Ditadores
Técnica: grafite s/ papel


Título: O poeta, a Musa e Fênix
Técnica: óleo s/ tela


título: O poeta
Técnica: grafite s/papel

Título: O Óbvio
Técnica: óleo s/ tela

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A cozinha do velho Chinês


A cozinha do velho Chinês
Por Fabio da Silva Barbosa

o espírito sai do corpo quando a gente menos espera
é aí que a mente se desespera

o corpo sai de cima quando acaba de gozar
esperar, parar, pensar

a vida segue em frente quanto nada parece bom
suco gástrico homicida faz aquele belo som


miudezas gentilezas vai tudo pelo ar 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Reunião de família




Reunião de família
Por: Fabio da Silva Barbosa

Estávamos todos em volta da mesa. Alguns nem viram o enterro, pois já estavam ali desde cedo. Tio Nico parecia um camarão. A cada gole da cachaça, ficava mais vermelho. Pediram mais uma porção de cu de galinha à milanesa e outra garrafa de cana. 
- Ele ia gostá de tá aqui com a gente. – Lamentou Caveirinha.
Rosita abriu o berreiro com grande escândalo e Tia Carmela interveio:
-Só fala bobagem, heim Caveirinha. Não fica assim, minha filha. Ele deve estar num lugar melhor que a gente.
Tio Nico já estava no estágio do filósofo e falou enquanto coçava a barba:
- Aquela ninhada parece que nasceu amaldiçoada. A menina sumiu no mundo com o açougueiro e dizem que já virou mulher da vida e tudo. O mais velho enlouqueceu... Agora Tiquinho se enforca.
Tio Nico estava certo. Aquilo parecia mesmo maldição. Roberval e Manú eram primos, casaram contra a vontade de toda a família, tiveram três filhos e, ao contrário do que todo mundo dizia, nenhuma criança nasceu com problema físico. Na verdade, teve a segunda que morreu pouco depois de nascer. Eram quatro irmãos.
- Desculpem o atraso. - Era a tal menina que tinha sumido no mundo. O pessoal demorou um pouco para reconhecer, mas ela se apresentou logo depois de acender o cigarro. – Sou a irmã do morto. Que cambada, heim? Nem lembram da filha dos primos. Pede o copo aí que tô precisando de um trago.
Tio Nico me olhou com aquela cara de “Eu não falei?”. Ele era do tempo em que menina não mostrava as canelas. O mundo devia ser assustador para alguém que não percebeu as mudanças acontecendo. Ele parecia ter adormecido durante décadas e de repente se deparado com tudo assim.
Rosita estava quase sob controle, mas suas mãos ainda tremiam enquanto apertava o lenço de pano contra o nariz e assoava com força. Mastigando mais um cu de galinha à milanesa, Seu Bartolomeu começou a falar sobre a tentativa de trazer o irmão do morto para o enterro.  
- Mentira! – Cortou a irmã recém chegada.- O desgraçado está abandonado naquele chiqueiro há anos. Ninguém aparece. Vocês não querem ter de ficar com ele em casa. 
Daí começou um falatório enlouquecido. Rosita voltou a chorar compulsivamente, enquanto os demais iam perdendo o controle durante a discussão sobre a responsabilidade dos parentes com o irmão do morto. Enchi meu copo de cana e peguei mais um cu no prato. Taquei bastante sal no bichinho e comecei a lembrar da última reunião de família que tivemos. Foi exatamente quando os pais do morto anunciaram o casamento. Tudo terminou em uma grande pancadaria. Depois deste dia, nunca mais houve uma grande reunião.
Viveram felizes durante os primeiros anos, mas, com a vinda dos filhos, as dívidas começaram a crescer e, como as coisas sempre podem piorar, Roberval acabou por ficar desempregado e os biscates demoravam a aparecer. Manú começou a se embebedar diariamente e Roberval, que sempre gostou de tomar uma, enveredou pelo mesmo caminho. Nesse meio tempo, o filho mais velho apresentou sérios distúrbios mentais. Quebrava a casa toda e até esfaqueou um vizinho que ele acreditava estar possuído pelo demônio.
Um belo dia, Roberval saiu para procurar emprego e não voltou mais. Manú se afogou de vez na cachaça e seu corpo acabou por não resistir. Nessa época, as crianças já estavam grandes e foram morar na casa de parentes. Ah, sim... Teve a que morreu no meio disso tudo, o que deu mais força as críticas dos parentes.
- Afinal, quem te avisou do enterro e como você nos encontrou aqui?
- Notícia ruim chega rápido.
A gritaria tirou-me do mundo das lembranças. Tomei mais gole da cana e voltei a mergulhar no passado. Voltei bem para o dia em que Tiquinho havia conseguido emprego de zelador em um prédio e foi morar no morro das redondezas. Pouco tempo antes, sua irmã já tinha dado no pé com o açougueiro. Passado mais alguns anos, o irmão, que já tinha esfaqueado o vizinho, matou Seu Bonaparte. Seu Bonaparte morava no fim da rua e veio reclamar: “O maluco matou meu cachorro!”. Nunca tivemos certeza se tinha sido ele que matou o cachorro, mas, com certeza, foi ele que matou Seu Bonaparte. Toda a vizinhança assistiu ao massacre sem conseguir parar as pauladas. Como ele já tinha histórico de violência e tentativa de homicídio (o caso da facada), o juiz mandou guardarem o infeliz no manicômio judiciário.
Tiquinho conseguiu se manter no emprego e virou freguês do puteiro que ficava no centro da cidade. Lá conheceu Teodora, por quem se apaixonou. O problema foi que Tiquinho começou a contar mais vantagem do que tinha no bolso e Teodora começou a apertar ele. Por fim, percebeu que não tinha mais de onde tirar dinheiro e Teodora não queria saber de homem pobre. Foi nessa que o último filho dos primos, com quem eu ainda tinha contato, se enforcou.
Parece que a menina, antes de fugir com o açougueiro, estava reclamando do comportamento de Tio Nico. Dizem que ele estava se aproveitando da coitada. Vai saber. Essa família adora um disse-que-não-disse. Uma coisa era certa: O Açougueiro tinha o dobro da idade dela e Tio Nico ficou cheio de raiva. Dizia que aquilo era imoralidade e que isso não podia ser. Nesse momento, um barulho alto me trouxe novamente para a mesa do bar. Todos estavam gritando em pé e a irmã do morto vinha com tudo, empunhando uma garrafa quebrada na direção de Tio Nico. O tumulto foi geral, mesas caíram no chão e alguns tentaram tomar a garrafa da mão dela. Levantei reparando que uma forte chuva havia começado a cair lá fora. Aconcheguei-me num canto e fiquei apreciando o pandemônio. Acho que vai demorar até termos outra reunião de família.      

   

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Coletivo Zine 2: versão (quase) final

Pessoal, confiram no link abaixo a versão quase final do CZ 2. Em relação a prévia anterior, fizemos algumas pequenas modificações de acordo com solicitações de alguns participantes. Então vejam se está tudo certo. Se quiserem mudar alguma coisa, só falar. Se não, a única pendência será finalizar a página 02, em que pretendemos colocar um índice e algum texto ou textos de apresentação desta edição. Assim, quem quiser escrever suas considerações está convidado, é só mandar. Fecharemos em definitivo a edição no início de novembro, quando enviaremos para a gráfica.

http://www.sendspace.com/file/o209vp  (clicar em "Click here to start download from sendspace")



terça-feira, 24 de setembro de 2013

Tradições/Traições


Tradições/Traições
Por Fabio da Silva Barbosa

Quem é que diz o que é bom gosto?
Quem determina o normal.
Quem faz da vida um desgosto?
Quem te protege do mal.

Quem define o seu posto?
Quem alimenta o banal.
Quem te acorrenta ao relógio?
Quem impõe o trivial.

Quem é que diz do que eu gosto?
Quem se acha maioral.
Quem me impede de estar vivo?

Quem sustenta essa moral.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Coletivo Zine 2: Chamada para a impressão conjunta

Muito bem, pessoal, o segundo número do Coletivo Zine também terá edição impressa!!! Graças à iniciativa da Geissy Reis, encontramos mais uma opção de impressão a um bom custo, através da editora Universo do Autor. Assim, adotaremos o mesmo esquema da edição 01. Quem tiver interesse em participar da impressão coletiva do zine, deve depositar o valor que quiser/puder na conta abaixo e enviar um mail para wnyhyw@gmail.com informando sobre o depósito. O custo unitário do zine é R$5,70 por exemplar e a cota mínima por pessoa, para viabilizar essa impressão conjunta,  será de R$30. Então cada pessoa vai levar a quantidade proporcional de exemplares de acordo com a quantia paga. Quem pagar 30, por exemplo, leva 5 exemplares. Lembrando que essa edição terá 92 páginas!!! O prazo para os pagamentos será até 05 de novembro, data em que fecharemos o pedido para a gráfica. Lembrando também que nenhum participante é obrigado a participar da impressão conjunta, é apenas para os que quiserem e puderem contribuir.
Vamo que vamo!

Depósito para:

Caixa Econômica Federal (104), Operação 001, Agência 0086, Conta Corrente 5699-2.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Tesão


Tesão
Por: Fabio da Silva Barbosa

Ele chegou cedo à casa da namorada. Enquanto os pais da amada acabavam de se arrumar no andar de cima e ela limpava a bunda depois de uma cagada daquelas que lambrecam todo o entorno, se acomodou no sofá. O jantar ainda demoraria um pouco.
Passados alguns minutos, Tritão, o cachorro da família (um vira-lata imenso), entrou vagarosamente pela sala cheirando o ar como quem não queria nada. Veio até sua perna e cheirou. Distraído, pensando em como faria o pedido de noivado, fez um cafuné na cabeçorra da criatura.
Em um salto repentino, Tritão agarrou sua perna e, com movimentos repetidos, começou a esfregar a cabeça pontiaguda de seu órgão reprodutor. Chocado, o cavalheiro tentou tirar o mamute de cima da sua perna. Tritão resistia bravamente, mas com doçura.
Não havia jeito. Mal conseguia afastar o cão e ele já voltava ofegante. Os anfitriões desceram e se espantaram com a estranha conduta do animal. Tentaram de tudo, mas era impossível afastar o cachorro de sua paixão. Por fim, o caso virou graça e o rapaz foi embora sem pedir a mão de sua amada. Tritão o acompanhou até o quintal, onde, depois de muita luta, conseguiram afastá-lo da lambuzada perna.
Ao ouvir o bater do portão, o cachorro correu para as grades e ficou apreciando aquela perna se afastar. Passando por sua irmã gêmea, sumiu apressadamente pela rua. O que restou foi um animal triste, sentado no portão. Iria permanecer assim até a próxima visita. 


quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Carros


Carros
Por Fabio da Silva Barbosa

Carros, Carros, Carros
Motos, Motos, Motos
Ônibus, Ônibus, Ônibus
Por onde quer que olhe
só carros a passar
O sinal diz que posso passar
Mas onde quer que olhe,
só carros a passar
Sigo apressado entre carros,
caminhões e autofalantes
Atinjo o outro lado
para só carros passar
Carros, Carros, Carros
Motos, Motos, Motos
Ônibus, Ônibus, Ônibus
Por onde quer que olhe

só carros a passar