sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

COLAR DE VERDES CRISTAIS

Por: Edu Planchêz

sem dar tréguas para a caminhada, 
que dei início no momento que a noite uivava,
saio do sono do corpo 
para entrar no sono dos afluentes 
do delta guaíba, do delta mississipi,
do delta mor contidos nos vasos 
que nos encarceram
na música primitiva dos ursos

e o blues pulsa puxando do chão
as raízes que nos somam 
a ígnea cor dos que choram,
dos que trovejam pelos dedos,
dos que cabem nos fiapos do tecido
das roupas tecidas por minha ama
no quartel dos soldados 
que se transvestem em formigas
para escalarem as notas mais graves

com essa linguagem que julgo não ser cifrada 
me comunico com o dialeto cuspido 
pelos que interagem com os sons
dos anéis que tremulam nos dedos do ar
da magnífica criatividade  
para na mágica do imortal amor 
ser um colar de verdes cristais
a adornar o pescoço de minha ama 

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