sábado, 22 de setembro de 2018

Pela neblina


Por Fabio da Silva Brbosa

Vagando pelos lugares de sempre
sem se preocupar se está perdendo tempo
ou apenas usando os segundos

Enquanto eles querem prolongar ao máximo a existência
você se joga de cabeça
sem temer a morte

A chuva fria molha a roupa
As meias rasgadas já estão encharcadas
Faz muito tempo que não sente o calor de um lar

Mas as ruas
não lhe parecem tão más
quanto aos demais

Não importa do que é feita a grade
pois uma jaula
é sempre uma prisão

A regra social não lhe apetece
Não quer caber em uma caixa
mesmo se pintada de ilusão

Os governos fazem guerras
mandando jovens pro caixão
enquanto eles riem pra televisão

Mas você não quer saber
apenas corre pela madrugada
sem saber se é noite ou dia

Eles te odeiam por isso
Não podem suportar sua liberdade
Tentam te soterrar com seus olhares de frustração

Só que você é mais forte que imaginam
e seu corpo magro
veste uma armadura de fúria

Não querem te entender
e você não pede
essa tal compreensão

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