sábado, 5 de maio de 2018

Poço


Por Fabio da Silva Barbosa

Ei, cara
vê-lo encolhido em um canto
 como um feto em uma noz
ou um punhado de roupa suja
não ajuda a conter meu pranto

Olá, menino
vê-lo se decepcionar
com o sistema que tritura sonhos
corpos e mentes
confirma que tudo não passa de merda

E aí, gente
tanto sofrimento
submersos na tristeza
angustia e agonia
não queremos esse toque

Mas não deixe que te escravizem
nessa depressão
onde o mundo
paga pela doença humana

Lute, garota
contra as correntes miseráveis
que estão pintadas
como se fossem ouro
outra pedra para tolos

Escuta, irmão
mas não deixe que o silêncio
entorpeça o cérebro
até ficar como um saco d’água
ou algo embalado a vácuo

Fala, criança
e não vá se afogar
nos lagos transbordantes
dos teus olhos
banhados em sangue

Mas não permita que levem assim
toda força
que a natureza
te deu

Não venda
o que não tem preço
pois o barato
é sempre caro demais

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